quarta-feira, 29 de julho de 2026

Acabou o nosso carnaval

Este texto foi escrito no dia 25 de julho

xxxxxxxxxxxxxxxx


Eu sei, eu sei que estou atrasada na minha despedida do Dibrinho. 

Por isso mesmo vou sem mais distrações voltar àquela segunda-feira, 20 de julho, após a conquista da Copa do Mundo pela Espanha:  Parecia quarta-feira de cinzas, meus leitores.

Imagine se a Argentina tivesse sido campeã…clima de velório completo. A exceção seria o editor do Dibrinho. Nos anos 50, o Nelson Rodrigues sempre falava da “Hungria do Armando Nogueira”. Em 2026 tivemos a “Argentina do Fernando Szegeri.”

Não resisti, Fê. 

Agora é cinzas. Tudo acabado. Pausa para depressão, como me falou o Teo que ouviu por aí. Sensacional! 

Sou otimista por natureza. Mesmo magoada com a queda do Brasil tão cedo, acredito que vamos reconstruir nossa autoestima. 

Mais que dos jogadores de futebol, sou fã do povo brasileiro. É nossa gente que dá essas crias pra o Brasil e para o mundo. Um baque desses que sofremos vai nos fazer criar casca. 

O próximo ciclo vai ser de renovação. Das cinzas de 2026 vai nascer uma nova geração que vai recuperar quem somos. 

O Brasil é tão grande que não tem Ancelotti, CBF, pipoqueiros que deêm conta da nossa força. 

Vimos um falso Brasil e mesmo assim torcemos. Imagina quando nosso verdadeiro país for descoberto. 

Até 2030!


domingo, 19 de julho de 2026

Ainda resta um pouco de esperança

 

Escrevo este texto exatamente duas horas antes da grande final da Copa de 2026. Na bola, uma grande Copa, apesar de todos os (imensos) senões extracampo. E na verdade não só na bola, porque o futebol é esse grande teatro contemporâneo de encenações dos nossos dramas, emoções, contradições, humanidades. E isso tudo, definitivamente, sobrou.

Escrevo para me desculpar. Inicialmente com os leitores (vale dizer: Bruno, Célia, Rai, Stê e Teo), porque não dei conta de levar o Dibrinho como eu gostaria. Simplesmente não dei, e aqui não é o lugar pra se investigar as causas disso. Em segundo, com Lionel Messi. Porque, seja por alguma obtusidade pessoal, ou somente mesmo pelo meu desinteresse pelo futebol de clubes da Europa, demorei para reconhecer o IMENSO jogador de futebol que é. Em termos da história das Copas – e é disso que esta coluna se ocupa – ouso dizer que se equipara, e por enquanto só aí, a Diego Armando Maradona. Daqui quatro horas, pode superar Dom Diego e se equiparar a Manuel Francisco dos Santos, o Garrinhcha, na hipótese de se tornar bi-campeão do mundo como protagonista indiscutível de uma campanha por todos os aspectos admirável. Meu respeito, minha profunda admiração por Messi: é um grande privilégio ter vivido para poder ver-te jogar, pibe! Obrigado, muito obrigado, Lionel Messi!

E escrevo, por fim, pra deixar um registro. Muita, mas muita besteira se disse nessas últimas semanas sobre torcer ou não para a Argentina. Torço muito pela Argentina. Pela Seleção, pela Nação. Há a rivalidade, há as rusgas, há as contrariedades, decepções, raivas. Onde não há? No amor há, com os filhos há, com os amigos. Torço porque me sinto latino-americano, mais do que brasileiro. E isso não é um mandamento, nem uma posição ideológica, nem algo que nasceu comigo. É só um sentimento que cresceu dentro de mim ao longo da vida. Mas torço, sobretudo, por uma imensa admiração, respeito e, por que não dizer?, uma dose razoável de inveja: eles têm o que eu gostaria de ter. É raça? De alguma forma. É o amor pela camisa, pela Seleção? Indiscutivelmente. Mas é, acima de tudo, pelo que para eles ainda torna possível haver essa raça, essa dedicação, esse amor: a capacidade que têm – e nisso não são exclusivos, mas são imensos – de se encantar. E aqui quero dizer especialmente, que é o que ora interessa, se encantar com e pelo Futebol. E não é só dos jogadores, ou da comissão, é de todo um povo. Porque como diz um amigo meu, o contrário da morte não é a vida, o contrário da morte é o encantamento. Eles não morreram. E, neles, eu não morro. Renasci em 2022, renasço mais em 2026. E a minha gratidão será eterna. À genialidade de Messi, ao bom futebol jogado por esse grande time, fora dos cânones da unanimidade burra que grassa, a um técnico que expressamente prefere o mate, a parrilla e a milonga aos teoremos geométricos de números aborrecidos. Obrigado, muito obrigado, Lionel Scaloni!

Vi por esses dias, em que me debrucei sobre a história e as histórias de Messi, como já eles começam a endeusá-lo e cultuá-lo das mais variadas formas. E isso será elevado a uma potência inimaginável se los hermanos hoje se igualarem a brasileiros e italianos na conquista de dois mundiais seguidos. Entendi que não era sobre Maradona, tão somente. E também não é sobre Messi. É sobre eles; e sobre esse Encantamento. É sobre receber sob vivas e aplausos pelas ruas o time goleado pela Alemanha em 2010. É sobre mexicanos, caboverdeanos, libaneses e bengali. É sobre ídolos, heróis, mitos; sobre a capacidade de ver que “a vida não é só isso que se vê. É um pouco mais. Que os olhos não conseguem perceber. Que as mãos não ousam tocar. Qu os pés recusam pisar”. Felizes daqueles que ainda podem sonhar, que ainda podem se Encantar com essa bola que corre de pés em pés dentro de quatro linhas; que ainda podem fazer do Futebol esse lugar de dramatizar, aprofundar, esquecer suas dores, frustrações e dificuldades; relativizar, colorir, celebrar, multiplicar seus afetos, alegrias, esperanças. O Futebol, sim, meus queridos… Essa brincadeira de meninas e meninos. Puro amor à bola, à vida, à humanidade. Até, porque fora disso, não há mais nada a fazer.

Fernando Szegeri


E.T. Com este texto, despeço-me do Dibrinho. Foi bom, desde 2010. Cumpriu a sua função, só não mais por minha exclusiva responsabilidade. Agradeço imensamente à Railídia e ao Chico Szegeri que em diferentes momentos se animaram com a brincadeira e deram, indubitavelmente, uma qualidade, um colorido, uma vitalidade fundamental para que essa coluna chegasse até aqui. Agradeço aos outros quatro leitores acima nomeados e reitero o pedido de desculpas. A página está de portas abertas à Rai e ao Chico para suas despedidas. Acho que ficaríamos todos bem felizes. Ponto final. Tchau.


Inglaterra x França

 

Não posso me furtar. Contrariando as expectativas gerais para um jogo de disputa de terceiro e quarto lugares, os súditos de sua majestade e les enfants da la patrie protagonizaram uma mini-guerra dos 100 anos, sem mortos e sem feridos. Muito ao contrário, só beleza, só bola, só show para o deleite dos privilegados que tiveram olhos de ver. Cereja do bolo para essa Copa farta de vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Obrigado, obrigado!

E, ao fim e ao cabo, ficou bonito pra todo mundo: pra França por ter reagido à altura da grandeza dessa seleção, depois de terminar o primeiro tempo tomando de quatro (qualquer lembrança amarga é mera livre associação daqueles de quem foi tirado o pouco que tinham), e pra Inglaterra por não ter deixado a virada acontecer. E sobraram abraços e sorrisos, dentro e fora de campo! Viva o Futebol!

Fernando Szegeri


terça-feira, 7 de julho de 2026

Humilhação patriótica

A semana começou mal e está seguindo pior ainda para os times latino-americanos e outros que a torcida brasileira escolheu torcer: México, Colômbia, Egito. Caíram todos. No caso do Egito, com requintes de uma certa crueldade. Sobrou o velho continente com Inglaterra, Espanha, França e Bélgica além do solitário africano Marrocos.

Os insuportáveis Argentinos também passaram no sufoco contra o Egito. Um pesadelo completo.

Estamos perdidos: Marrocos, que é o que resta aos brasileiros, levou gol do Haiti.

Em meio a esse cenário assombroso e desesperador para a torcida brasileira, eis que surge uma voz dissidente dos baba-ovos da Argentina e do Messi. Flávio Prado deu a seguinte declaração: “A Argentina ainda não jogou contra ninguém e tomou dois sufocos horrorosos”. Flávio Prado, “nunca” te critiquei. 

Não existe a menor chance de eu torcer para a Argentina. Uma nação que sempre que pode debocha da gente e nos ridiculariza. Quero ver o dia em que o jornal Olé vai babar (aquela baba elástica e bovina) elogiando feitos da seleção brasileira. Dia de São Nunca. Já por aqui, nossos jornalistas patrícios (com aquela baba elástica e bovina e aquela humildade patética) só faltam dizer: “Brasil, aprenda com a Argentina”. 
Não, muito obrigada, já temos muitos racistas por aqui.

A Copa virou guerra e a ruína da Argentina está próxima. Deus, por favor, o senhor é brasileiro. Daí não vai ter juiz, mano de Dios, nem Messi. Depois decime que se siente. 

 

Railídia 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Neymar é o meu personagem da semana

A segunda-feira é dura de engolir, especialmente após uma eliminação da seleção brasileira para a Noruega na Copa do Mundo. A nação poderia ficar anos com insônia cívica e batendo no peito: “Somos uns merdas”. O meu personagem da semana divide opiniões e combina muitas virtudes, na bola; e profundos defeitos, na vida real. Neymar é o meu personagem da semana e me recuso a me despedir dele no futebol como detratora.

Se fosse parar de falar com bolsonaristas, nem olhava na cara de parte da minha família. Sinto como se o Neymar fosse um bolsonarista da minha família: “Todos nós vimos o Neymar nascer”. O Brasil ficou encantado com o menino da Vila e sua magia, dribles, gols. Sonhamos com um novo herói brasileiro, como tivemos no passado. 

Pois bem. Descobriram que ele é de carne e osso. Capaz de nos emocionar dentro do campo e de se fazer odiado fora dele. Conivente com a cultura machista, promotor das Bets, aliado da extrema-direita. Neymar está levando nas costas toda a culpa por um Brasil que sempre existiu e que, nós, temos a utopia de que um salvador da pátria vai nos redimir. Poxa, gente, se o Neymar tivesse toda essa consciência ele estaria filiado ao "virtuoso" PSOL.

Sou brasileira, mas não bato em cachorro morto. O Brasil tem essa especialidade. Amigos estrangeiros falam sempre muito da alegria, da solidariedade, da doçura do povo brasileiro. Somos assim mesmo, mas também somos cruéis com o Neymar “aleijado”. “Se o Neymar tá chorando eu tô sorrindo”.

As lágrimas do Neymar me partem o coração. Quando ele se despediu do Santos e do Brasil. Quando venceu a tão sonhada medalha olímpica no Rio de Janeiro e, especialmente agora, quando encerrou sua carreira na seleção sem levantar uma taça de Copa do Mundo. Ah, o Brasil tem outra especialidade: Aqueles videntes que sempre sabiam que isso ia acontecer. Daí chegam nessa hora e dizem, esfregando as mãos: “Eu Sabia” ou “Eu avisei”. 

Eu desconfio que faz 10 anos que a carreira do Neymar acabou. Tomou muita pancada pra parar de impor constrangimento aos europeus. O brasileiro tem memória curta, mas a pancada que ele sofreu na Copa de 2014 poderia ter deixado Neymar paraplégico. Imagine um Neymar nos campos europeus com aquelas perninhas finas, brincando, balançando na frente dos zagueiros, dando caneta, lençol e tirando uma com os pernas de pau do velho continente. 

Ontem, quando ele entrou em campo e se sentindo humilhado, como toda a nação, pelos vikings fakes, ele foi o único que bateu boca. Haaland (ou Rôla) tirou a gente e não podemos nem cuspir na cara deles? Ah, não. A seleção brasileira é um time de bananas. O técnico italiano desdenhou das nossas tradições. Foi um presente de grego e vamos ter que aturar ainda por quatro anos com aquele chiclete detestável. 

Neymar fez um gol de pênalti no finalzinho. Tirou uma onda com o goleiro da Noruega que tava cheio de marra. Sou conhecida por ser muito corneta, mas não mexa com meus brasileirinhos. Ver o Neymar tão vulnerável e solitário aos prantos no meio do campo me quebrou as pernas (ô trocadilho infeliz!). 

Obrigada, menino Ney.

Contra os céticos, os puristas e os ressentidos, você é o meu personagem da semana. 

Railídia 


A seleção é vital para o Brasil

Ontem, após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo dos EUA, cheguei à Vila Sá Barbosa e encontrei a Ana com o filho Antonio, o Totô, além do Teo e da Cris. Ana estava com os olhos inchados; Antonio, meio perdido, tentava compreender o sentimento de um debutante na Copa; Cris fazia um sinal de "não" com a cabeça e o Teo dizia: “Acabou a Copa para mim”. Também fiquei sabendo que a minha filha, Iara, foi uma das que choraram um rio de lágrimas ao apito final. Pudera: nascida em 2002, ela ainda não viu de verdade o Brasil ser campeão do mundo. Na última vez, era apenas uma nenenzinha.

Na verdade, meu relato está incompleto, meus leitores. Escamoteei a verdade, talvez por vergonha ou por achar que tenho culpa no cartório. Quando cheguei, os presentes no bar me deram uma breve zoada pela eliminação. Com algumas exceções, vimos praticamente todos os jogos juntos, ali na Vila, mas desta vez, por motivo de força maior, não pude estar presente nas oitavas de final. Acho que vou carregar esse estigma por quatro anos, igual ao nosso atacante Endrick, que perdeu um gol cara a cara com o goleiro e — se tiver caráter — vai ficar uns bons dias sonhando com isso.

O sentimento que fica para mim depois dessa experiência é que a seleção ainda é vital para os corações brasileiros. Imprescindível para as nossas relações de amizade, para a cultura do encontro e da farra. Ela nos lembra as mazelas e as virtudes do nosso país. Faz-nos sonhar que, num passe de mágica, a taça  Jules Rimet vai curar todas as dores. É assim quando o destino da Canarinho está em jogo.

São 200 milhões de brasileiros que se transformam em especialistas em futebol e palpiteiros de plantão. Nesta edição da Copa, a Celinha recuperou os óculos com a bandeira do Brasil usados em 1998 (logo esse ano, Célia?) e com garrafinhas de cerveja na lente. Ela não enxerga nada através daquelas lentes amarelas, mas fica com os óculos para dar sorte. Foi uma das ganhadoras do bolão no primeiro jogo eliminatório. Marly, a mãe da Célia, comprou uma vuvuzela e descobriu na hora que não sabia como tirar som dela. Foi ajudada pelo Pedro, marido da Luciana. A Lu, por sua vez, é quem informa ao Pedro o nome dos jogadores do Brasil.

Vou sentir falta dessa "mobilização nacional". Foi triste ver a seleção brasileira eliminada pela Noruega, com seus vikings fakes e aquela comemoração de remada insuportável. Eu me sinto completamente órfã do ajuntamento, da expectativa gostosa de sermos campeões, da pauta "seleção brasileira" surgindo a qualquer hora do dia na conversa, dos memes.

A realidade dura e cruel recaiu em um domingo, com esta segunda-feira a nos espreitar sem dó nem piedade, trazendo dívidas, dores, cartão de ponto, reuniões online... O vazio que a Copa deixa, pelo menos temporariamente, é a nossa solidão.

Railídia

domingo, 5 de julho de 2026

As virtudes da torcida brasileira

Nos jogos da Copa do Mundo estamos diante do brio, do caráter e da alma da torcida brasileira. Tirando alguns milhares que estão nos EUA, os 200 milhões em ação por aqui (oopaa, trocadilho) são um show à parte. Nas casas, condomínios, favelas, periferias, butecos, quintais, esquinas, avenidas, no metrô, ônibus pode-se notar aqueles corações magnetizados pelo futebol e sua força imprevisível e encantadora.

Ah, Nelson, como eu gostaria de te ter como espectador desta Copa do Mundo. Tuas crônicas seriam um novo “Os Lusíadas” da poesia esportiva. Ao ler suas crônicas, Homero, de “A Ilíada e a Odisseia”, diria do além: Nelson Rodrigues é o cara. 

Como sou sua devota, sigo por aqui observando e vibrando com as virtudes da nossa torcida.

Os brasileiros torcem pelo Brasil, torcem pelos latino-americanos e pelos africanos. No meu caso e de muitos que conheço, a exceção é dos hermanos que querem ser europeus. 

Mas é lindo de ver essas escolhas no dia a dia. Minha filha Iara me encontra no café da manhã e diz, com os olhos arregalados e dramáticos: Você viu o jogo do Paraguai x Alemanha? Você viu o jogo de Cabo Verde x Argentina? Daí ficamos quase gritando relembrando os momentos, o orgulho pela garra, personalidade e entrega desses jogadores peleando e sonhando até o apito final. 

Vi um influencer caboverdiano dizer, após a eliminação pela Argentina, que ninguém torce para os africanos como os brasileiros torcem. Disse que vai continuar torcendo agora pelo título do Brasil (Oxalá!). Eu reafirmo meu patriotismo pela Pátria Grande e pela África. Não posso esquecer do Egito que leva alento e solidariedade ao povo palestino. O capitão Mohamed Salah pediu ajuda humanitária para a faixa de Gaza.

A torcida brasileira da qual estou falando é o Brasil que eu amo entrando em campo.

“De nada adiantará o futebol se o homem não presta” (NR)

Railídia

Ps: Brasil joga hoje as oitavas de final contra a Noruega dos vikings. Vamo, meu Brasil!


sexta-feira, 3 de julho de 2026

A seleção Canarinho e o algo mais

A seleção brasileira que eu sonho ainda não entrou em campo nesta Copa do Mundo.

Não falo do estilo mortal da França e nem da objetividade da Argentina com Messi. Muito menos eu me refiro ao tal do tik taka da Espanha ou do pragmatismo da Inglaterra.

Falta sentimento a seleção brasileira. Sabe aquela garra (não Uruguaia ou Paraguaia) de quem está mesmo num campo de guerra e lutando até o apito final? Aquela frase do hino “um filho teu não foge à luta”. Aquela garra à brasileira, a ginga, o bailado, o samba. 

Essa geração demonstra uma falta de energia que beira o formalismo e a burocracia. A claque de cronistas que precisa levantar a plateia dos auditórios segue no seu papel superdimensionando as apresentações burocráticas da nossa canarinho. Eu mesmo, pra não fazer o papel da corneteira em tempo integral, embarco no espírito dos narradores ufanistas. 

Só que lá no fundo, ainda que a seleção faça algum progresso, a mudança que eu gostaria não é a dos números frios da vitória. Esse algo mais que escrevi no título eu vejo em Cabo Verde e vi no Paraguai. Escrevo essa crônica ainda no quente do final do jogo da seleção Caboverdiana com a Argentina. Onde a soberba dos atuais campeões do mundo quase custou a classificação, mas não foi apenas isso.

O protagonismo foi de Cabo Verde, assim como o protagonismo foi dos paraguaios contra a Alemanha. Acho que Cabo Verde e Paraguai são meio antíteses uma da outra e digo isso sem querer desmerecer ninguém. O Paraguai entrou para sobreviver contra a tetracampeã. Cabo Verde entrou para competir e vencer o jogo. A coragem para sobreviver e a coragem para vencer.

A cada jogo sonho com a seleção brasileira altiva e, como diria Nelson Rodrigues, com os “mantos de cetim azul, com barra de arminho”, pendendo dos ombros. 

Concluo que os nossos jogadores precisam primeiro é vencer a perda da identidade e voltar a ser brasileiros. 

Railídia


Gustavo Alfaro é o meu personagem da semana

Amigos, após um silêncio sepulcral estou de volta ao Dibrinho.

Quero confessar que os insistentes pedidos do nosso grande público (leia-se Celinha Aguiar) foi importante para dar esse novo fôlego. O motivo da pausa só será conhecido no dia em que soubermos o que aconteceu com o Ronaldo Fenômeno na Copa de 98.

Chega de fugir do tema e vamos ao meu personagem da semana: Gustavo Alfaro, o técnico do Paraguai. La Albirroja es mi amor. Confesso que, desta vez, torci mais por eles que pelo Brasil. Tava meio borocoxô, mas a garra guarani da seleção Paraguaia me fez recuperar o encanto, o prazer e a adrenalina. O espírito lutador dos paraguaios me fez lembrar muito da personalidade do goleiro Chilavert: marrento, consciente, arrogante. Prefiro um jogador assim a um banana.

Todos davam o Paraguai como derrotado diante da Alemanha tetracampeã. A sobrevivência do Paraguai foi naqueles dias após o jogo um alimento para a nossa utopia. Nós, brasileiros, que nem nos reconhecemos sul-americanos, estivemos unidos pela Canarinho e pelos Paraguaios. Parece até que foi uma vitória da gente. E foi: Da Pátria Grande que sonha com uma integração dos países da América Latina e do Caribe. Crença alimentada por tantos sonhadores, entre eles Simón Bolívar, Eduardo Galeano, Darcy Ribeiro, Fidel Castro, José Martí.

Gustavo Alfaro tem todo o meu respeito. Fazendo um retrospecto das eliminatórias para a Copa, conseguiu trazer um espírito aguerrido e resiliente para a seleção. Havia 16 anos que o Paraguai não disputava a Copa. O que seria um crime para uma geração que tem um jogador como Gustavo Gomes, capitão do Palmeiras e capitão da seleção que é conhecida como La Abirroja pelas cores branca e vermelha do uniforme. 

Começou a Copa e o balde de água fria veio logo dos yankees imperialistas que golearam o Paraguai na estreia. Sobreviver era preciso e os paraguaios avançaram na raça, na estratégia de guerra, na personalidade e técnica dos líderes do time, entre eles o brasileiro Mauricio. Filho de pai paraguaio e mãe brasileira, Maurício foi o primeiro bater o pênalti. Depois o Gustavo Gomez. Meu Deus! Parecia o Palmeiras contra o goleiro Neuer.

Gustavo Alfaro me comoveu demais ao dar a seguinte declaração após a vitória nos penales contra a Alemanha: 

"Se gradúan en academias de primer nivel en Europa. Nosotros venimos de la tierra colorada, jugando descalzos en esta tierra, con el sacrificio de los padres para llevar a los niños a entrenar."

Qualquer semelhança com os “ninos” brasileiros não é mera coincidência. A Pátria Grande está no campo de guerra da Copa do Mundo. Ver uma seleção como a do Paraguai bater um gigante histórico como a Alemanha é o puro suco da imprevisibilidade deste jogo que amamos tanto. É um tapa naqueles que querem formalizar o futebol tirando dele o drama, o revide, as estratégias de vestiário. Ainda bem que o futebol sobrevive com o espírito da terra colorada, da várzea brasileira, dos campos de refugiados da África. 

Vamos, Paraguai! E que teu hino Guarani ecoe tão alto que possa fazer balançar a Marselhesa.

Railídia  


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Tudo o que é sólido...

 

Surgida como alternativa às viciadíssimas coberturas globais, a CazéTV consolida-se nesta Copa como potência empresarial e já vai començando a dar nos cornos. Muita falação, ritmo cansativo de redes sociais, micos vergonhosos, comentaristes chatíssimes a tentar nos provar teoremas, como se a graça do futebol estivesse na decifração dos esquemas táticos à feição de um problema de geometria. Pra não falar nos patrocionadores mafiosos, puro extrato do pior que se produziu nos últimos no país da jogatina, quer dizer, do futebol (risos nervosos).

Railídia, que na redação do Dibrinho assume o papel de cavalo do caboclo Reacionário, poderia nos esclarecer se é somente excesso de juventude, que em tese teria cura, ou se o que tá sobrando mesmo é a conhecida ganância, com doses cavalares da cara-de-pau que grassa. Abriria uma exceção ao bom narrador Luisinho, que domina bem o ofício a que se dedica e que gostaria de ver, um dia quem sabe?, menos comprometido com essa lógica de entretenimento frenético. Porque se o oba-oba de alguma forma faz parte do futebol atual, está a anos-luz de esgotá-lo. E a magia de uma Copa do Mundo, sabemos, reside justamente na face esconsa dos astros que nos alumeiam...

E.T.: só não está tudo de vez dominado porque, nos jogos da seleção da cbf, São Delay, o santo dos telespectadores saudosos, nos obriga a ressuscitar os bombris de antena, se não quisermos habitar um universo paralelo de spoilers infinitos...

Fernando Szegeri

Equador x Curaçao

 

No pior jogo que vi do Mundial até agora, Equador carimbou a faixa de maior decepção da Copa. Após uma atuação abaixo da crítica, com destaque para o arquiduvidoso Ener Valência, o time que empolgou nas eliminatórias sulamericanas está virtualmente eliminado, tendo pela frente na última rodada a Alemanha, precisando da vitória. Os simpáticos curaçauenses, que fizeram seu papel com dignidade e conquistaram merecidamente seu primeiro ponto em copas, muito provavelmente também se irão despedir frente aos laranjas de África, que mostraram um bom futebol e virão, certamente, com sede de classificação.

Fernando Szegeri

Holanda x Suécia

 Na guerra das monarquias setentrionais, os súditos de Guilherme Alexandre não tomaram conhecimento das forças leais a Carlos Gustavo e sapecaram um estrepitoso 5 x 1. O time auri-azul me pareceu a mais fraca representação sueca que já desfilou pelos mundiais. Talvez seja a sina das camisas amarelas nessa Copa...

A Holanda não fez muito mais que se aplicar no que sabe fazer. Os destaques para mim foram o grande (no tamanho, mesmo) centro-avante Brobbey, que faz um pivô fortíssimo na cabeça de área, como há muito não via, e o perigoso Gakpo, cada um com dois tentos.

O grupo segue embolado após a vitória japonesa sobre a frágil Tunísia e a briga pela ordem de classificação deve-se decidir no saldo de gols. Japão pega uma Suécia inferior e abalada pela goleada sofrida, enquanto os laranjas certamente jogarão para impor aos tunisianos uma carnificina histórica. Deus os ajude. E também ao Brasil...

Fernando Szegeri

Alemanha x Costa do Marfim

 

Finalmente pude ver a nova seleção alemã, com o velho Manuel Neuer no gol, único remanescente da tragédia do Mineirão em 2014. (Interessante, aliás, como antigamente nos referíamos à “tragédia do Sarriá” em 82, ou a “tragédia do Maracanazzo”, em 50. Mal sabíamos...). E o que vimos foi uma Alemanha que teve que suar a tanga pra ganhar da boa seleção da Costa do Marfim, com um gol achado no último minuto de jogo.

Os africanos foram superiores em boa parte da partida e poderiam ter liquidado a fatura na primeira metade do segundo tempo, quando tiveram domínio e chances claras de gol. Entretanto, como ouvi esses dias numa frase brilhante e original, quem não faz, toma.  E foi o tal Ungav, que parece ter estrela,  o responsável por entrar e resolver de vez a fatura que os germanos tinham pendente com os deuses do futebol: com dois gols de matador, recolocou o time tetracampeão do mundo de volta num mata-mata de Copa depois de 12 anos. E no mata-mata, sabemos, a camisa branca costuma trazer problemas aos oponentes...

Fernando Szegeri

Cabo Verde de pés descalços é o meu personagem da semana

Em 2005 eu assisti a um show da cantora caboverdiana Cesária Évora. Tive que sair da festa de casamento do Fê e da Stê para ir. Lembro que aborreci aos noivos e pessoalmente me aborreci. Que ideia! Ganhei os ingressos de presente da minha amiga Viviana. Um agrado desses não se nega. Ainda bem que eu fui. Se pudessem, os noivos também teriam ido. A festa inteira teria ido ver a diva dos pés descalços. Cesária era ao mesmo tempo beleza, protesto (descalça pelos desvalidos e pobres do seu país) e amor por sua terra natal quando entoava pelo mundo as tradições musicais caboverdianas.

Na Copa do Mundo de 2026 o Brasil está apaixonado pela seleção de Cabo Verde. 

Há entre os brasileiros, sejam torcedores, narradores, comentaristas e repórteres uma simpatia por Cabo Verde. Entre os jornalistas, há os discretos e os descarados. Neste domingo, o jogo foi contra a Celeste Uruguaia. Terminou 2x2, quando Cabo Verde fez os primeiros gols em Copa do Mundo. Já tinha empatado sem gols contra a poderosa Espanha. Estamos vendo a história. E digo uma coisa: A raça Uruguai foi surpreendida pela ousadia, ótimo futebol e a imponência de Cabo Verde, que jogou para ganhar. O que eu vi foi o anti-viralatismo, Nelson. E eu, que guardo rancor da copa de 50, sempre que posso me satisfaço com um tropeço uruguaio.

Em duas rodadas, a seleção de Cabo Verde enxotou a mesmice que costuma tomar conta do futebol. Nesta Copa teve muito jogo assim: correto, tático, esquema desse e daquele, mas sem alma. Sem uma purpurina. Eu assisto futebol porque quero ver o craque, o perna de pau (é de um espanto comovente), o que não se assemelha a nada, quero ver o encanto e o desencanto. O lance no vazio, os heróis, os vilões. O futebol te dá o imprevisível e te arranca da rotina modorrenta dos mortais: “noventa minutos de emoção e alegria. Esqueço a casa e o trabalho. A vida fica lá fora...”

Cabo Verde com os pés descalços de Cesária Évora caiu no grupo da morte da Copa e continua vivo. Por esse motivo, essa seleção é o meu personagem da semana.

PS 1: Urgente, bora botar na vitrola Cesária Évora
PS2: Citei um trecho da música "Aqui é o país do futebol"(Milton Nascimento e Fernando Brant) gravada esplendidamente por Wilson Simonal
PS3: Midia esportiva, se diz seleção de Cabo Verde. De Cabo Verde. Não é do Cabo Verde. Ignorantes!


Railídia


sábado, 20 de junho de 2026

Galvão Bueno: O craque do jogo

Ainda bem que eu mudei de canal para o segundo tempo do jogo do Brasil x Haiti. Estava na Globo e fui para o SBT. Aquela voz familiar do Galvão Bueno, a obsessão dele pela seleção, as gafes, o Olodum: É muito Brasiiiiiilllll ! Quanto ao jogo não foi muito parâmetro para nada. É óbvio que a seleção canarinho venceria. Achei que ficou devendo, mas esse não é o tema. No jogo contra a Escócia é que o Brasil vai ser testado para valer.

Deixando a corneta de lado e voltando ao craque do jogo, vejo o Galvão personificando um pouco o sentimento brasileiro da massa. Antes era na Globo, agora no SBT. Vivi pra ver o Galvão na emissora rival do plim plim. Jovens, plim plim é uma vinheta criada pela Rede Globo e o Galvão Bueno é um narrador de futebol que durante quatro décadas narrou jogos de futebol e de copas do mundo pela emissora.  O Galvão era a cara da Globo. Ele deixou a emissora na Copa passada para se dedicar a outros projetos e quem sabe se aposentar.

Obviamente não deu certo. A narração esportiva e a seleção brasileira são a cachaça do Galvão Bueno. Nada de aposentadoria. Voltou em grande estilo para narrar os jogos do Brasil e outros confrontos importantes da Copa. Eu nem sabia que o Galvão tinha sido contratado pelo SBT. Descobri na estreia do Brasil quando assistimos ao jogo na Vilinha Sá Barbosa. Perdíamos por 1 x 0 do Marrocos e os presentes no bar pediram para colocar na Globo. Mudou e o Brasil empatou o jogo. O Teo, dono do bar, começou a gritar: “O povo não é bobo, viva a Rede Globo. Só tem louco!

Sem o Galvão Bueno a Globo perde o charme e a emoção das transmissões. Pude constatar no primeiro tempo desta sexta. Neste jogo contra o Haiti, o Galvão parecia ler os meus pensamentos em todo comentário que fazia: “Eu tô louco pra o Endrick fazer um gol pra pegar confiança para os próximos jogos”, “Esse quarto gol que não veio pode fazer falta”, “Não gostei de o Brasil jogar defendendo o resultado”. Para mim ele acertou tudo e por isso foi o craque do jogo. 

Quando ele chamou o Olodum aí eu fui à loucura. Até o Olodum foi para o SBT embalar as transmissões e dar sorte para o Brasil. O script estava completo. Não pode ter Copa do Mundo sem o Galvão Bueno. Tem gente que não suporta, mas eu acho que ele é afetivamente um membro da minha família. Da família do Pará, especialmente. Galvão me faz sentir em casa. 

Sendo assim, pode falar, Galvão. Fica à vontade.

PS: O Brasil venceu o Haiti pelo placar chocho de 3x0

PS2: Na Copa de 2010 estourou o meme Cala a boca, Galvão. Trend Topics do twitter. Galvão sobreviveu e continua por aí falando pra caramba.

Railídia 


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Não lereis

 

Independentemente do maior ou menor acerto, utilidade, ou graça daquilo que vai por essas linhas, afianço que jamais por aqui lereis “atacar o espaço”, “entre as linhas”, “minutagem”, “intensidade”, “assistência” , "verticalidade" e quejandos.

Preliminares

 

Eis que piscamos e a primeira rodada se foi. E, do que vimos, ficou das principais camisas:

- a decepção de Portugal, lento, sem pegada, sem brilho. Burocrático. E com jogadores que individualmente não corresponderam ao que se espera.

- a força da França, que colocou a máquina pra funcionar quando precisou  superar o bom time do Senegal, que foi melhor no primeiro tempo e mostrou um bom nível técnico. E a máquina não negou fogo:  Mbappé, mesmo num dia “pouco inspirado” foi letal. E Olise é o Carne Frita dos gramados: passa como se usasse um taco de sinuca...

- o futebol da Inglaterra, sim senhor. Contrariando história e estatísticas, o English Team parece que será uma força a ser batida. Consistência, volume, nível técnico, força física. E Harry Kane.

- a Argentina destoando um pouco da mesmice do futebol arqui-previsível dos tempos que vão. Um time que aparentemente joga em outro ritmo, outra lógica. E com um gênio pra ajudar, que parece efetivamente que não veio pra fazer figuração.

- o Brasil melancolicamente rebaixado ao nível de força intermediária.

- a incógnita da Espanha, que parece que está pronta pra dar o bote, mas não consegue; a Holanda forte, mas a quem talvez falte algum “espírito”; e a Celeste que no papel tem um time bem melhor do que mostra em campo. De ver. 

Devo a Alemanha, que não consegui ver.

Fernando Szegeri

A falha do goleiro da Coréia do Sul

Calma aí, gente, deixa eu consultar aqui o nome do goleiro da seleção da Coréia do Sul...Achei: Kim Seung-Gyu. Conversando com o Fê na noite desta quinta-feira, nós dois lamentamos a falha do sul-coreano, o episódio que me comoveu naquela partida meio monótona entre Coréia x México, na segunda rodada da Copa do Mundo. 

O México venceu por 1x0 e se classificou para a próxima fase da Copa, que é o mata-mata. Em um lance que, aparentemente não daria em nada, Kim Seung-Gyu saiu do gol, pegou a bola e se chocou com o zagueiro. No choque, o goleiro sul-coreano soltou a bola e o atacante mexicano Luis Romo botou pra dentro. Kim desabou, estapeou o gramado e a decepção tomou conta dele e de toda a seleção. Naquele momento. 

Pouco antes do lance, a transmissão da Cazé Tv disse que a seleção sul-coreana tem um psiquiatra à disposição do elenco para fazer a leitura dos momentos de estresse e ir buscando um equilíbrio. Juro que achei que a próxima substituição da Coréia seria sai fulano e entra...o psiquiatra. 

Mas o goleiro que falha, o jogador que erra pênalti, o defensor que entrega e o adversário faz gol, esses personagens têm que se recuperar rápido. Ainda tinha um tempo inteiro pela frente e Kim Seung-Gyu fez pelo menos mais duas defesas fantásticas. No jogo de estreia da Coreia contra a Tchékia, os asiáticos venceram de virada e o Kim foi um dos melhores da partida. 

Como eu disse aqui em uma das minhas primeiras crônicas: “A Copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela ou um dorama!” Não vi a forma como Kim Seung-Gyu deixou o gramado, mas fiz um exercício só meu e de vocês: Ao apito final, ele cumprimentou cada um dos colegas, rosto severo, nada de desculpas ou lamentações e “desceu o túnel” com o coração agora só pensando na África do Sul.

Experimentar sempre a glória é para os fracos. Os fortes assimilam o fracasso como se tomassem um energético. 

Meus respeitos, Kim. Boa sorte na próxima rodada.

Railídia





quinta-feira, 18 de junho de 2026

Eu tive um (bom) sonho em alemão

Não, meus amigos, não é aquela lembrança horripilante, não! 

Aproveitei um trecho da música homônima dos craques Wilson Batista e Moreira da Silva para falar desse trio dos sonhos da Copa do Mundo: Harry Kane, Olise e Luis Diaz. Uma verdadeira sede das Nações Unidas: Kane é inglês, Olise joga pela França (mesmo nascido e criado na Inglaterra) e o nosso Luis Diaz é colombiano. 

Fiquei sabendo que eles jogam juntos no Bayer de Munique!!!. Opa, quando recomeça o campeonato alemão??? Não dou nenhuma bola para o futebol que rola fora do Brasil. Tem muitas séries para acompanhar aqui e sou bairrista mesmo. Ainda bem que a Copa do Mundo deu essa possibilidade de ver esses atletas jogando agora. Sem nhenhenhém. Chegam e resolvem, carregam pedra, na garra, na técnica, na marra (de marrento, no caso, o Olise). 

Estou torcendo para todos os latino-americanos, menos para a Argentina. Óbvio. Sou torcedora raiz. 

A Colômbia é um time que adoro: Diaz, Árias, Rios, James Rodriguez, Carrascal. O Uzbeque achou que podia fazer frente, mas Luis Diaz fez uma partida maravilhosa. Mandou no jogo. Destemido, hábil, goleador e emocionado. Tudo o que amo na Copa. No jogo entre Inglaterra x Croácia comecei torcendo pra Croácia e terminei “Salve a rainha Elizabeth!”. Por causa do Harry Kane. Parecia que a Inglaterra tinha um a mais. Que jogador. O Olise é o que eu menos simpatizo (ignorou nossos craques), mas ele jogou demais pela França. Que medo desse jogador e inveja. Queria os nossos com o mesmo ímpeto dele. Futebol nós temos, só perdemos a confiança. 

Não posso terminar essa crônica sem falar nele, o meu guru Nelson Rodrigues. Falava tão mal da Inglaterra: futebol xôxo. Pois é, Nelson, a Inglaterra fez um baita jogo de estreia. Foi a melhor das seleções que eu vi. Ah, se você estivesse aqui daria à vitória dos ingleses sobre a Croácia o devido tom de um feito de dignas batalhas ou apostaria que fracassariam fragorosamente nos próximos jogos.

Afinal, só um título mundial não credencia ninguém. 

Todo mundo tenta, mas só nosso Brasilzão é penta.


PS : Só não coloquei o Mbappé aqui porque a pauta pedia o trio do Bayern. Mas ele virá...em outra crônica.

Railídia


terça-feira, 16 de junho de 2026

Carlo Ancelotti é o meu personagem da semana

A Copa do Mundo de 2026 está no sexto dia e eu só consigo pensar no fiasco da seleção brasileira na estreia contra Marrocos. Esse é o motivo que me faz escolher Carlo Ancelotti como meu personagem da semana. Esse espaço também é uma homenagem ao escritor Nelson Rodrigues. Ele criou essa rubrica nos anos 50 e 60 e eternizou personagens fascinantes do futebol daquela época.

O italiano Carlo Ancelotti é um mistério para mim. Ele tem um tipo que nem consigo dizer , de maneira geral, se gosto ou desgosto. No momento, desgosto muito. Disseram que ele foi conservador no primeiro jogo da seleção. Eu acho que foi covarde. O mister me irrita mascando aquele chiclete daquele jeito meio blasé. Ué, mas ele não é italiano? Nunca o vi mexendo as mãos daquele jeito clichê que a gente vê nas novelas brasileiras. Acho que eu prefiro o tipo italiano abrasileirado da Mooca, Bixiga e Brás.

O fato é que muita gente achava que o Ancelotti iria trazer outros ares para a seleção, mas é tudo meio que mais do mesmo: a falta de transparência, as negociatas, a onipotência, a falta de peito pra treinar a seleção que tem um legado do futebol que os europeus tentam enterrar, inclusive ele. Falam por aí que Endrick não é escalado porque a intuição fala mais alto no jogador do que a obediência tática. 

Há um poema do escritor Oswald de Andrade que diz: “Quando o português chegou/Debaixo duma bruta chuva/Vestiu o índio/Que pena! Fosse uma manhã de sol/O índio tinha despido o português.” Nelson Rodrigues conta em uma de suas crônicas que quando os europeus chegaram no Chile, na Copa de 62, estavam convictos que sabiam todos os segredos do futebol brasileiro. Entraram pelo cano: Brasil Bicampeão do Mundo.

A figura do Ancelotti não me fascina nestes primeiros tempos de seleção brasileira. Eu não babo com a coleção de taças que ele empilha dos campeonatos de lá. A mim dá um tédio, um sono, faço picuinha mesmo, principalmente quando vejo aqueles seres da imprensa brasileira com aquela “baba bovina e elástica” pendendo do lábio.  Que nojo! São os vira-latas mais vivos que os vivos. 

Já que o Ancelotti quer vestir o Endrick eu faço campanha pelo Ancelotti nu. Vem, Ancelotti, conhecer a história impressa no corpo e alma dos nossos meninos e sua memória brasileira de dribles, habilidade e intuição de Pelés, Manés, Ronaldos e Neymar. Venha minimamente despido das suas convicções e desembarque novamente no Brasil (já que vai ser mesmo o técnico da próxima Copa). Só que desta vez como professor e não colonizador.


Railídia


Heróis

 O goleiro Josimar Dias, batizado em homenagem ao meteórico lateral brasileiro da Copa de 86, que atende pela alcunha infantil de Vozinha, foi imensamente abraçado pela torcida brasileira que fez as redes sociais do caboverdeano pularem de 50 mil para 6 milhões e meio de seguidores, mais de 12 vezes a população de seu país, em menos de 24 horas.  

Eu que não dou uma pinoia por rede que não seja de deitar, balançar e namorar, acho que nós estamos é carentes demais. A indiferença da torcida para com o time de camisa amarela não tem a ver com política, ideologia, ou cifrões. Tem a ver com as empatias que são despertadas por seres humanos de carne e osso, com histórias de vida, com avozinhas e apelidos de infância; que ao vestirem uma camisa e pisarem num gramado estejam empunhando essas mesmas histórias, suas alcunhas e antepassados, e não apenas contratos publicitários, perfis midiáticos ou interesses mais ou menos confessáveis.

A rede dos nossos heróis míticos é outra. E já passou da hora de ostentarem algum caráter.

Espanha x Cabo Verde

Teve Davi & Golias, teve Sobrenatural de Almeida, teve personagem da semana, teve atuação nota 10, teve de um tudo. Espanha e Cabo Verde protagonizaram um daqueles momentos que fazem uma Copa do Mudo ser uma Copa do Mundo: uma seleção estreante, de um pequeno país africano de pouco mais de meio milhão de habitantes,  parar o time de centenas de milhões de euro, orçamento que só não é maior do que a própria empáfia espanhola. O “OxO” possivelmente mais vitorioso da história das Copas foi garantido por atuações magistrais dos defensores caboverdeanos, com destaque para o zagueiro Diney Borges que incorporou Domingos da Guia (em homenagem à Railídia e ao nosso guru comum, Nelson Rodrigues) e jogou uma das partidas mais perfeitas que vi um zagueiro fazer nesses quarenta e nove anos de arquibancadas. Mas não foi só. Teve o também zagueiro Pico Lopes igualmente imenso, teve a entrada impecável do lateral João Paulo e teve, pra quem quisesse ver, o goleriaço Vozinha, de 40 anos, com pelo menos oito defesas impotantes, duas das quais milagrosas.

Do lado dos espanhói de se destacar a calma, quase indiferença, que mantiveram rigorosamente até o último apito do juiz, que talvez possa vir a ser útil em algum momento desse Mundial. Calma, aliás, que não se estendeu às arquibancadas que vaiaram fragorosamente o time a partir do segundo tempo, com trégua somente para a entrada do tal Yamal, a quem fui finalmente apresentado. E que também não jogou nada.

O orgulho e a entrega dos jogadores ilhéus  poder-se-ia dizer contrastantes com a frase do seu técnico, ao final da partida, quando perguntado sobre o que Cabo Verde deveria fazer dali para frente: “os caboverdeanos só tem que se divertir”. Mas para aquele que anda nas ruas, é mais que sabido que é na diversão que se protagonizam os momentos mais sérios da vida.

Fernando Szegeri


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Japão x Holanda

Ótimo espetáculo de futebol, com tudo o que a gente espera de um jogo de Copa do Mundo: dedicação, bom futebol de parte a parte, surpresas, quatro gols. Destaque para os alas Nakamura e Ito, do Japão, que desconcertaram a defesa laranja, mais preparada para um boletim meteorológico do que para uma inversão de jogada. O técnico holandês, com substituições e orientações questionáveis, mostrou que um time  que está bem, mas que recua demais, pode pagar um preço alto numa competição que se destaca pelo nivelamento.

Fernando Szegeri

Sinais

 Zagalo não tinha cara de míster. Vicente Feola nunca na vida ouviu a palavra míster. Felipão espirrou muito e teve crise de urticária quando leu no jornal a palavra míster. Parreira é engomadinho, mas não é mister. Aymoré Moreira não tinha nem o branco do olho de míster. Nem Telê Santana, que não ganhou, mas encantou, tinha cara de míster. Agora... Lazaroni tinha cara de mister. Tite (me perdoem, leitoras) tem cara de míster.

Mister estarmos atentos aos sinais.

Fernando Szegeri

Outros brasis

 

Talvez porque fosse Santo Antônio. Talvez porque eu estivesse no Brasil. Não no brazil de místeres oriundos de países em que o futebol acabou,  nem de confederações pilotadas por ministros juniores. No Brasil da nossa gente preta, índia, cabocla, cafuza, branca a se debruçar por andores e pendores. (Isso não é verso, mas rimou) O fato é que assisti o jogo com mais emoção do que seria capaz de inspirar o timinho que usa a camisa parecida com a outrora envergada pelo Escrete; com a emoção que vem do Brasil por onde ando há cindo décadas.  E por estar comovido – e feliz – nem liguei pro futebolzinho já esperado dos amarelos.

Talvez por assistir o jogo com olhos de menino, ainda deslumbrado por essa grande brincadeira chamada futebol; talvez pelo meu gosto por ele estar muito mais misturado aos cheiros das arquibancadas de cimento, dos banheiros urinados e dos lanches duvidosos, e muito menos ao das redações e estúdios por onde andaram os hoje ranzinzas de uma crônica esportiva moribunda. Mas o segundo fato é que eu gostei do jogo e me alegrei com o futebol marroquino, solto, instigante, apesar de não chegar efetivamente a brilhar, nem a deslumbrar. Foi uma pena terem murchado e recuado após o gol valoroso de Vinícius Júnior que, se não foi brilhante, como de hábito, foi digno.

Dignidade que, aliás, anda bem em falta na praça.

Fernando Szegeri

Endrick


Perguntei ao meu jovem amigo, Luis Cunha, físico, bebedor e são Paulino, se ele leu minha última crônica aqui no Dibrinho. Ele soltou: clubista, como eu esperava. Eu me diverti. É que já falei aqui do Gustavo Gomez e do Maurício, atletas do Palmeiras que estão na seleção paraguaia. Hoje eu vou falar de outro palmeirense. Uma cria da academia, o Endrick.

Carlo Ancelotti não colocar o Endrick pra jogar é uma das situações mais irritantes e os motivos para isso se transformaram em um dos mais bem guardados segredos de Fátima. Ainda neste contexto católico, só uma observação: A estreia da seleção brasileira na Copa foi uma visão do inferno. O Brasil parecia um jogo de casados x solteiros. Ou pior: Fez lembrar do 7 x 1. Parecia que cada ataque ia virar gol do Marrocos. Ainda bem que os africanos, apesar de bem-organizados, parecem ter alergia a gol. Ouvi um comentarista dizer isso e achei muito bom. 

Que Marrocos, que nada, disse o veterano Fábio Sormani. “O Marrocos da geração sofscore”. O que me fez lembrar de como o Nelson Rodrigo pegava no pé do jornalista Armando Nogueira que exaltava o time da Hungria dos anos 50: “A Hungria do Armando Nogueira”. Se o Marrocos fosse bom mesmo, o Brasil tinha perdido o jogo porque a seleção estava uma baba. 

Além de unidos na revolta e decepção, outro fato uniu os brasileiros naquela tarde de sábado: Endrick. Assisti ao jogo na Vilinha Sá Barbosa, acompanhada de uma turma bem diversa. Só que naquela hora ali no bar todo mundo era especialista. Claro! Tinha ali uns vinte técnicos palpitando e todo mundo queria que o Endrick entrasse em campo. O técnico italiano (maledito) desagradou ao Brasil inteiro. 

Endrick, negro retinto, de família pobre, tem apenas 19 anos e passou por muitos momentos de superação na vida e na carreira. Dizem por aí, e parece mesmo, que os técnicos não gostam dele. Pior para os técnicos. Além do povo, uma boa parte da mídia esportiva quer que o Endrick entre em campo, como titular ou como opção no segundo tempo. 

Eu acho o Endrick um craque e admiro essa obsessão que ele tem pelo jogo. Um instinto de fera que quando é chamado parece aqueles felinos do National Geographic se movimentando com força e deslumbre. É um artilheiro. Tem uma técnica e habilidade que estão ali vivas, queimando em brasa pra jogar na seleção. Tem fome de bola e alimenta aquela esperança brasileira que o jogo vai virar a nosso favor. Endrick traz alma pra essa seleção sem graça, aposentada e covarde.

Ancelotti, homem de pouca fé, não enterre nossa seleção, deixa o menino jogar.  


PS: foto do Endrick tirada pelo fotógrafo Lesly Marinho. Em 2022, o jogador tinha 15 anos, e o Brasil vendeu um torneio sub-17 na França. os locais ficaram encantados com Endrick. Detalhe: derrotamos a Argentina.


Railídia 


sábado, 13 de junho de 2026

Baile dos EUA em "Assunción"


“Foi num baile em Assunción

Capital do Paraguai

Onde eu vi as paraguaias

Sorridentes a bailar”


Pois é, minha gente. Literalmente a seleção do Paraguai levou um baile dos EUA: 4 x 1. Foi uma decepção. Apostei todas as minhas fichas na La Albirroja, como é conhecida a seleção paraguaia. Os motivos do meu otimismo são, nessa ordem: Tem três jogadores do Palmeiras entre os convocados, estrearia contra os EUA e é um time sul-americano que após 16 anos volta a disputar uma Copa do Mundo.

“Sem alma não se chupa nem um chicabon” dizia Nelson Rodrigues. Pô, meus greengos, hoje era o dia de baixar a moral de quem anda por aí bombardeando o mundo. Fazer um jogo duro dentro da casa deles. Dia de vingar os golpes militares no nosso continente. O fato é que eles é que nos surpreenderam e a nossa Pearl Habor futebolística foi uma vergonha.

Onde estava a alma do Paraguai no jogo desta sexta-feira, 12 de junho? 

Interessa a mim mais a alma que a técnica, que parece ter ficado em Assunção. O Paraguai fez um gol contra aos 7 minutos já muito pressionado pelos EUA e teve uma pane coletiva que durou praticamente os 90 minutos, à exceção do momento do gol. Aliás, gol palmeirense anotado pelo Maurício, jogador brasileiro naturalizado paraguaio.

O “dementador americano” (alô, Harry Potter) roubou toda a felicidade dos paraguaios. Eles se transformaram em 11 pernas de pau. Menos Gustavo Gomez, o capitão da La Albirroja. Ele é um poço de integridade e coragem. Hoje parece que só tinha ele em campo. O Paraguai jogou com menos 10. 

Pra piorar, comecei a assistir o jogo aos 2 minutos e de início, torci para os EUA que usavam uma camisa com as cores vermelha e branca, igual a principal do Paraguai. Só que as listas eram horizontais. Aí notei que o Paraguai estava de azul marinho. Fica a dica: Em camisa que está ganhando não se mexe. 

Que a seleção Paraguai levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. Teve seleção ai que perdeu primeiro jogo e acabou campeã. Futebol, eu te amo. Ainda bem que a Copa começou e melhor ainda que está longe de terminar. 


PS: Os versos acima são um trecho da música Galopeira na versão conhecida no Brasil. Originalmente, a música é de autoria do compositor paraguaio Mauricio Cardoso Ocampo. 


Railídia


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quiñones, o meu personagem da abertura da Copa

A quinta-feira de abertura da Copa foi espetacularmente um dia que começou complexo pra mim. Sabe quando você equilibra mil pratos, faz tudo e no fim vê que aquela listinha de tarefas virginiana não foi cumprida como deveria? Dá uma angústia. Daí o jeito foi afogar a ansiedade (a mágoa perdeu a vez) no futebol. 

“Esquece a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

E tudo fica lá fora

Inferno fica lá fora

As dores ficam lá fora”


Ah, aquele ambiente que potencializa mil vezes as ruazinhas em volta da Curuzu, no estádio do Paysandu em Belém, vendendo churrasquinho. As barracas em volta da Arena Barueri do Verdão, em São Paulo, com aquele leitão delicioso. Um zumzumzum de torre de Babel. Eu adoro o futebol, mesmo vendo pela tv.

E no clima do dia dos namorados, eu me apaixonei pela torcida mexicana no jogo de abertura da Copa nesta quinta (11). O Fê fez a resenha do jogo  México x África do Sul. Leiam, comentem, de preferência entrem no google com o e-mail de vocês senão aparece todo mundo anônimo. 

Sempre torci pelo México e desta vez também. Para quem vê futebol mundial dia e noite pode ter sido uma apresentação comum, mas teve um ponto que me trouxe uma felicidade que só o futebol traz: o encanto com a habilidade, a personalidade e a emoção de um atleta. Sabe aquela angústia que a rotina imprimiu em mim ontem? Foi pra casa do ...carvalho quando o Quiñones fez o primeiro gol. Porra, México!!!!

O escritor Nelson Rodrigues, meu ídolo, escreveu as mais sensacionais crônicas de futebol. Ele tinha uma coluna chamada Meu Personagem da Semana. Dá licença, meu mestre, de copiá-lo na cara dura. Quiñones é meu personagem da vez: Parecia que ele era o time inteiro e jogava em todas as posições. Defendeu, atacou, armou e fez gol. Nascido colombiano se naturalizou mexicano porque parece que a Colômbia esnobou seu talento. A copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela! 

Aos 29 anos, Quiñones joga na liga árabe. Um homem negro latino-americano cheio de ginga e personalidade. Jogador que faz a fria técnica ganhar vida. No primeiro gol dele eu levantei da cadeira e gritei: Porra!

Só que o meu grito foi um palavrão, como bem conhecemos no Brasil. Sabiam que no México a palavra Porra significa algo do tipo vamos torcer para o México? Não é palavrão. Portanto, Porra, México! Boa Sorte. E também a nós brasileiros que fomos muito felizes em 70 neste país.

PS: Os versos que escrevi no início desta crônica fazem parte da música Aqui é o pais do futebol (Milton Nascimento e Fernando Brant) gravado pelo grande Wilson Simonal , em 1970

PS2: Colocar o sinal Til no N do Quiñones exige uma reprogramação do cérebro.

Railídia


quinta-feira, 11 de junho de 2026

O pior

 Fazendo jus à sua lamentável carreira, a atuação de Wilton Pereira da Costa no confronto entre México e África do Sul é a pior da Copa até o fechamento desta edição.

                                                     Fernando Szegeri

México x África do Sul

Dentro das 4 linhas, do tanto que vi, algumas impressões e poucas conclusões. A mais evidente é que a África do Sul é um time bastante limitado, que com os dois desfalques advindos das expulsões se torna a primeira candidata séria a ficar pela primeira fase. Já o México mostrou organização, aplicação e velocidade, não chegando, no entanto, a empolgar no quesito criatividade e não conseguindo efetividade ofensiva capaz de dar à partida números mais condizentes com a sua superioridade.

A impressão maior fica por conta de uma certa mesmice que parece grassar atualmente no futebol. Todo mundo joga meio parecido, com maior ou menor competência; a sensação é que sempre está se vendo mais ou menos o mesmo campeonato. Tomara que os próximos 103 jogos venham me convencer do contrário.

Em tempo: aplausos efusivos para a torcida mexicana, que fez a festa à altura da grandeza desse povo esplendoroso. Ainda que bem mais embranquecida que as lembranças das ruas que por lá andei.

                                                    Fernando Szegeri 

O Dibrinho tá dominado: Olha, quem chega

Alguém perguntou um dia ao chegar nas rodas de samba da vida:

- que horas começa o samba?
Outro respondeu: Já começou!

Pra mim a Copa do Mundo começou em 1982, quando eu aos 10 anos me encantava pela seleção brasileira. Morava na Transamazônica, no bairro da Brasília, sem água encanada, muitas vezes sem luz, em uma casinha que vi por anos mamãe construir. O que sobrava na rua naquele tempo da Copa era esperança, farra, bandeirinhas penduradas e muitas camisas verde e amarelo.

Tô comovida como o quê porque amo futebol. Amo a Copa do Mundo e continuo amando a seleção canarinho. E minha felicidade não poderia ser maior porque agora sou colaboradora do Dibrinho, esse modesto pedaço de chão que vai ser um pouco a nossa mesa de bar, a “anticobertura jornalística”, nosso confessionário e a arquibancada de onde vamos mandar nossos palavrões mais afetivos.

Já chego contrariando o editor e criador do Dibrinho, meu mano Fernando Szegeri. Quero ver a caveira dos Hermanos argentinos. A dos franceses, então. Tomara que os Hermanos percam de 7 x 1 pra Argélia e os franceses tomem um sacode do Senegal. Sim, guardo rancor. 

E só mais um palpite: minha gente, chega desse negócio de mister pra o Ancelotti. Aliás, uma sugestão, professor, põe o Endrick.

Até!

Railídia 

2026

E não é que vai começar tudo outra vez???

Eu já estou com a cerveja gelada, a tabelinha e a caneta na mesinha da sala. Quem vem junto?

Hoje é a primeira partida de Copa do Mundo depois da maior que vi em toda a minha vida, a finalíssima de 2022 entre os hermanos capitaneados por Messi e os enfants de la Patrie, com Mbappé e companhia. Que não teve resenha no Dibrinho, por faltarem palavras e sobrarem lágrimas. (E pela torcida na redação estar ferozmente dividida, uns ouvindo Gardel e La Negra aos prantos, outros não vou nem comentar. Humpf!) 

Bora pra cima! Viva o futebol! Viva a festa! Que é a gente que faz, aconteça o que acontecer, tentem o que tentarem. Sem nós, eles não são nada!

Fernando Szegeri