sexta-feira, 19 de junho de 2026

A falha do goleiro da Coréia do Sul

Calma aí, gente, deixa eu consultar aqui o nome do goleiro da seleção da Coréia do Sul...Achei: Kim Seung-Gyu. Conversando com o Fê na noite desta quinta-feira, nós dois lamentamos a falha do sul-coreano, o episódio que me comoveu naquela partida meio monótona entre Coréia x México, na segunda rodada da Copa do Mundo. 

O México venceu por 1x0 e se classificou para a próxima fase da Copa, que é o mata-mata. Em um lance que, aparentemente não daria em nada, Kim Seung-Gyu saiu do gol, pegou a bola e se chocou com o zagueiro. No choque, o goleiro sul-coreano soltou a bola e o atacante mexicano Luis Romo botou pra dentro. Kim desabou, estapeou o gramado e a decepção tomou conta dele e de toda a seleção. Naquele momento. 

Pouco antes do lance, a transmissão da Cazé Tv disse que a seleção sul-coreana tem um psiquiatra à disposição do elenco para fazer a leitura dos momentos de estresse e ir buscando um equilíbrio. Juro que achei que a próxima substituição da Coréia seria sai fulano e entra...o psiquiatra. 

Mas o goleiro que falha, o jogador que erra pênalti, o defensor que entrega e o adversário faz gol, esses personagens têm que se recuperar rápido. Ainda tinha um tempo inteiro pela frente e Kim Seung-Gyu fez pelo menos mais duas defesas fantásticas. No jogo de estreia da Coreia contra a Tchékia, os asiáticos venceram de virada e o Kim foi um dos melhores da partida. 

Como eu disse aqui em uma das minhas primeiras crônicas: “A Copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela ou um dorama!” Não vi a forma como Kim Seung-Gyu deixou o gramado, mas fiz um exercício só meu e de vocês: Ao apito final, ele cumprimentou cada um dos colegas, rosto severo, nada de desculpas ou lamentações e “desceu o túnel” com o coração agora só pensando na África do Sul.

Experimentar sempre a glória é para os fracos. Os fortes assimilam o fracasso como se tomassem um energético. 

Meus respeitos, Kim. Boa sorte na próxima rodada.

Railídia





4 comentários:

Szegeri disse...

E o drama é que faz a grandeza do futebol, porque o torna eminentemente... Humano. É essa humanidade que faz da Copa o que ela é. Capaz de nos despertar as maiores contradições, fazer a gente se pegar torcendo pelo time improvável. Os irmãos mexicanos meteram um ferrolho digno do velho técnico Zé Duarte e os coreanos se esforçanco pra jogar seu futebol meio adolescente, interessante, mas sem exatamente encantar. Dignos. Um jogo digno, cada um fazendo o que lhe foi possível. Não fosse Sobrenatural de Almeida tirar a bola do Kim, o zero a zero espelharia bem o empenho sem brilho das duas equipes.

Szegeri disse...

E.T. Belíssimo texto, Rai!

Railídia disse...

Sabia que tinha faltado algo. Sobrenatural de Almeida tirou a bola do Kim. Valeu, Fê

Stefania Gola disse...

Maravilhoso, Rai! Não vi o jogo mas não perco a despedida.