sábado, 20 de junho de 2026

Galvão Bueno: O craque do jogo

Ainda bem que eu mudei de canal para o segundo tempo do jogo do Brasil x Haiti. Estava na Globo e fui para o SBT. Aquela voz familiar do Galvão Bueno, a obsessão dele pela seleção, as gafes, o Olodum: É muito Brasiiiiiilllll ! Quanto ao jogo não foi muito parâmetro para nada. É óbvio que a seleção canarinho venceria. Achei que ficou devendo, mas esse não é o tema. No jogo contra a Escócia é que o Brasil vai ser testado para valer.

Deixando a corneta de lado e voltando ao craque do jogo, vejo o Galvão personificando um pouco o sentimento brasileiro da massa. Antes era na Globo, agora no SBT. Vivi pra ver o Galvão na emissora rival do plim plim. Jovens, plim plim é uma vinheta criada pela Rede Globo e o Galvão Bueno é um narrador de futebol que durante quatro décadas narrou jogos de futebol e de copas do mundo pela emissora.  O Galvão era a cara da Globo. Ele deixou a emissora na Copa passada para se dedicar a outros projetos e quem sabe se aposentar.

Obviamente não deu certo. A narração esportiva e a seleção brasileira são a cachaça do Galvão Bueno. Nada de aposentadoria. Voltou em grande estilo para narrar os jogos do Brasil e outros confrontos importantes da Copa. Eu nem sabia que o Galvão tinha sido contratado pelo SBT. Descobri na estreia do Brasil quando assistimos ao jogo na Vilinha Sá Barbosa. Perdíamos por 1 x 0 do Marrocos e os presentes no bar pediram para colocar na Globo. Mudou e o Brasil empatou o jogo. O Teo, dono do bar, começou a gritar: “O povo não é bobo, viva a Rede Globo. Só tem louco!

Sem o Galvão Bueno a Globo perde o charme e a emoção das transmissões. Pude constatar no primeiro tempo desta sexta. Neste jogo contra o Haiti, o Galvão parecia ler os meus pensamentos em todo comentário que fazia: “Eu tô louco pra o Endrick fazer um gol pra pegar confiança para os próximos jogos”, “Esse quarto gol que não veio pode fazer falta”, “Não gostei de o Brasil jogar defendendo o resultado”. Para mim ele acertou tudo e por isso foi o craque do jogo. 

Quando ele chamou o Olodum aí eu fui à loucura. Até o Olodum foi para o SBT embalar as transmissões e dar sorte para o Brasil. O script estava completo. Não pode ter Copa do Mundo sem o Galvão Bueno. Tem gente que não suporta, mas eu acho que ele é afetivamente um membro da minha família. Da família do Pará, especialmente. Galvão me faz sentir em casa. 

Sendo assim, pode falar, Galvão. Fica à vontade.

PS: O Brasil venceu o Haiti pelo placar chocho de 3x0

PS2: Na Copa de 2010 estourou o meme Cala a boca, Galvão. Trend Topics do twitter. Galvão sobreviveu e continua por aí falando pra caramba.

Railídia 


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Não lereis

 

Independentemente do maior ou menor acerto, utilidade, ou graça daquilo que vai por essas linhas, afianço que jamais por aqui lereis “atacar o espaço”, “entre as linhas”, “minutagem”, “intensidade”, “assistência” , "verticalidade" e quejandos.

Preliminares

 

Eis que piscamos e a primeira rodada se foi. E, do que vimos, ficou das principais camisas:

- a decepção de Portugal, lento, sem pegada, sem brilho. Burocrático. E com jogadores que individualmente não corresponderam ao que se espera.

- a força da França, que colocou a máquina pra funcionar quando precisou  superar o bom time do Senegal, que foi melhor no primeiro tempo e mostrou um bom nível técnico. E a máquina não negou fogo:  Mbappé, mesmo num dia “pouco inspirado” foi letal. E Olise é o Carne Frita dos gramados: passa como se usasse um taco de sinuca...

- o futebol da Inglaterra, sim senhor. Contrariando história e estatísticas, o English Team parece que será uma força a ser batida. Consistência, volume, nível técnico, força física. E Harry Kane.

- a Argentina destoando um pouco da mesmice do futebol arqui-previsível dos tempos que vão. Um time que aparentemente joga em outro ritmo, outra lógica. E com um gênio pra ajudar, que parece efetivamente que não veio pra fazer figuração.

- o Brasil melancolicamente rebaixado ao nível de força intermediária.

- a incógnita da Espanha, que parece que está pronta pra dar o bote, mas não consegue; a Holanda forte, mas a quem talvez falte algum “espírito”; e a Celeste que no papel tem um time bem melhor do que mostra em campo. De ver. 

Devo a Alemanha, que não consegui ver.

Fernando Szegeri

A falha do goleiro da Coréia do Sul

Calma aí, gente, deixa eu consultar aqui o nome do goleiro da seleção da Coréia do Sul...Achei: Kim Seung-Gyu. Conversando com o Fê na noite desta quinta-feira, nós dois lamentamos a falha do sul-coreano, o episódio que me comoveu naquela partida meio monótona entre Coréia x México, na segunda rodada da Copa do Mundo. 

O México venceu por 1x0 e se classificou para a próxima fase da Copa, que é o mata-mata. Em um lance que, aparentemente não daria em nada, Kim Seung-Gyu saiu do gol, pegou a bola e se chocou com o zagueiro. No choque, o goleiro sul-coreano soltou a bola e o atacante mexicano Luis Romo botou pra dentro. Kim desabou, estapeou o gramado e a decepção tomou conta dele e de toda a seleção. Naquele momento. 

Pouco antes do lance, a transmissão da Cazé Tv disse que a seleção sul-coreana tem um psiquiatra à disposição do elenco para fazer a leitura dos momentos de estresse e ir buscando um equilíbrio. Juro que achei que a próxima substituição da Coréia seria sai fulano e entra...o psiquiatra. 

Mas o goleiro que falha, o jogador que erra pênalti, o defensor que entrega e o adversário faz gol, esses personagens têm que se recuperar rápido. Ainda tinha um tempo inteiro pela frente e Kim Seung-Gyu fez pelo menos mais duas defesas fantásticas. No jogo de estreia da Coreia contra a Tchékia, os asiáticos venceram de virada e o Kim foi um dos melhores da partida. 

Como eu disse aqui em uma das minhas primeiras crônicas: “A Copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela ou um dorama!” Não vi a forma como Kim Seung-Gyu deixou o gramado, mas fiz um exercício só meu e de vocês: Ao apito final, ele cumprimentou cada um dos colegas, rosto severo, nada de desculpas ou lamentações e “desceu o túnel” com o coração agora só pensando na África do Sul.

Experimentar sempre a glória é para os fracos. Os fortes assimilam o fracasso como se tomassem um energético. 

Meus respeitos, Kim. Boa sorte na próxima rodada.

Railídia





quinta-feira, 18 de junho de 2026

Eu tive um (bom) sonho em alemão

Não, meus amigos, não é aquela lembrança horripilante, não! 

Aproveitei um trecho da música homônima dos craques Wilson Batista e Moreira da Silva para falar desse trio dos sonhos da Copa do Mundo: Harry Kane, Olise e Luis Diaz. Uma verdadeira sede das Nações Unidas: Kane é inglês, Olise joga pela França (mesmo nascido e criado na Inglaterra) e o nosso Luis Diaz é colombiano. 

Fiquei sabendo que eles jogam juntos no Bayer de Munique!!!. Opa, quando recomeça o campeonato alemão??? Não dou nenhuma bola para o futebol que rola fora do Brasil. Tem muitas séries para acompanhar aqui e sou bairrista mesmo. Ainda bem que a Copa do Mundo deu essa possibilidade de ver esses atletas jogando agora. Sem nhenhenhém. Chegam e resolvem, carregam pedra, na garra, na técnica, na marra (de marrento, no caso, o Olise). 

Estou torcendo para todos os latino-americanos, menos para a Argentina. Óbvio. Sou torcedora raiz. 

A Colômbia é um time que adoro: Diaz, Árias, Rios, James Rodriguez, Carrascal. O Uzbeque achou que podia fazer frente, mas Luis Diaz fez uma partida maravilhosa. Mandou no jogo. Destemido, hábil, goleador e emocionado. Tudo o que amo na Copa. No jogo entre Inglaterra x Croácia comecei torcendo pra Croácia e terminei “Salve a rainha Elizabeth!”. Por causa do Harry Kane. Parecia que a Inglaterra tinha um a mais. Que jogador. O Olise é o que eu menos simpatizo (ignorou nossos craques), mas ele jogou demais pela França. Que medo desse jogador e inveja. Queria os nossos com o mesmo ímpeto dele. Futebol nós temos, só perdemos a confiança. 

Não posso terminar essa crônica sem falar nele, o meu guru Nelson Rodrigues. Falava tão mal da Inglaterra: futebol xôxo. Pois é, Nelson, a Inglaterra fez um baita jogo de estreia. Foi a melhor das seleções que eu vi. Ah, se você estivesse aqui daria à vitória dos ingleses sobre a Croácia o devido tom de um feito de dignas batalhas ou apostaria que fracassariam fragorosamente nos próximos jogos.

Afinal, só um título mundial não credencia ninguém. 

Todo mundo tenta, mas só nosso Brasilzão é penta.


PS : Só não coloquei o Mbappé aqui porque a pauta pedia o trio do Bayern. Mas ele virá...em outra crônica.

Railídia


terça-feira, 16 de junho de 2026

Carlo Ancelotti é o meu personagem da semana

A Copa do Mundo de 2026 está no sexto dia e eu só consigo pensar no fiasco da seleção brasileira na estreia contra Marrocos. Esse é o motivo que me faz escolher Carlo Ancelotti como meu personagem da semana. Esse espaço também é uma homenagem ao escritor Nelson Rodrigues. Ele criou essa rubrica nos anos 50 e 60 e eternizou personagens fascinantes do futebol daquela época.

O italiano Carlo Ancelotti é um mistério para mim. Ele tem um tipo que nem consigo dizer , de maneira geral, se gosto ou desgosto. No momento, desgosto muito. Disseram que ele foi conservador no primeiro jogo da seleção. Eu acho que foi covarde. O mister me irrita mascando aquele chiclete daquele jeito meio blasé. Ué, mas ele não é italiano? Nunca o vi mexendo as mãos daquele jeito clichê que a gente vê nas novelas brasileiras. Acho que eu prefiro o tipo italiano abrasileirado da Mooca, Bixiga e Brás.

O fato é que muita gente achava que o Ancelotti iria trazer outros ares para a seleção, mas é tudo meio que mais do mesmo: a falta de transparência, as negociatas, a onipotência, a falta de peito pra treinar a seleção que tem um legado do futebol que os europeus tentam enterrar, inclusive ele. Falam por aí que Endrick não é escalado porque a intuição fala mais alto no jogador do que a obediência tática. 

Há um poema do escritor Oswald de Andrade que diz: “Quando o português chegou/Debaixo duma bruta chuva/Vestiu o índio/Que pena! Fosse uma manhã de sol/O índio tinha despido o português.” Nelson Rodrigues conta em uma de suas crônicas que quando os europeus chegaram no Chile, na Copa de 62, estavam convictos que sabiam todos os segredos do futebol brasileiro. Entraram pelo cano: Brasil Bicampeão do Mundo.

A figura do Ancelotti não me fascina nestes primeiros tempos de seleção brasileira. Eu não babo com a coleção de taças que ele empilha dos campeonatos de lá. A mim dá um tédio, um sono, faço picuinha mesmo, principalmente quando vejo aqueles seres da imprensa brasileira com aquela “baba bovina e elástica” pendendo do lábio.  Que nojo! São os vira-latas mais vivos que os vivos. 

Já que o Ancelotti quer vestir o Endrick eu faço campanha pelo Ancelotti nu. Vem, Ancelotti, conhecer a história impressa no corpo e alma dos nossos meninos e sua memória brasileira de dribles, habilidade e intuição de Pelés, Manés, Ronaldos e Neymar. Venha minimamente despido das suas convicções e desembarque novamente no Brasil (já que vai ser mesmo o técnico da próxima Copa). Só que desta vez como professor e não colonizador.


Railídia


Heróis

 O goleiro Josimar Dias, batizado em homenagem ao meteórico lateral brasileiro da Copa de 86, que atende pela alcunha infantil de Vozinha, foi imensamente abraçado pela torcida brasileira que fez as redes sociais do caboverdeano pularem de 50 mil para 6 milhões e meio de seguidores, mais de 12 vezes a população de seu país, em menos de 24 horas.  

Eu que não dou uma pinoia por rede que não seja de deitar, balançar e namorar, acho que nós estamos é carentes demais. A indiferença da torcida para com o time de camisa amarela não tem a ver com política, ideologia, ou cifrões. Tem a ver com as empatias que são despertadas por seres humanos de carne e osso, com histórias de vida, com avozinhas e apelidos de infância; que ao vestirem uma camisa e pisarem num gramado estejam empunhando essas mesmas histórias, suas alcunhas e antepassados, e não apenas contratos publicitários, perfis midiáticos ou interesses mais ou menos confessáveis.

A rede dos nossos heróis míticos é outra. E já passou da hora de ostentarem algum caráter.

Espanha x Cabo Verde

Teve Davi & Golias, teve Sobrenatural de Almeida, teve personagem da semana, teve atuação nota 10, teve de um tudo. Espanha e Cabo Verde protagonizaram um daqueles momentos que fazem uma Copa do Mudo ser uma Copa do Mundo: uma seleção estreante, de um pequeno país africano de pouco mais de meio milhão de habitantes,  parar o time de centenas de milhões de euro, orçamento que só não é maior do que a própria empáfia espanhola. O “OxO” possivelmente mais vitorioso da história das Copas foi garantido por atuações magistrais dos defensores caboverdeanos, com destaque para o zagueiro Diney Borges que incorporou Domingos da Guia (em homenagem à Railídia e ao nosso guru comum, Nelson Rodrigues) e jogou uma das partidas mais perfeitas que vi um zagueiro fazer nesses quarenta e nove anos de arquibancadas. Mas não foi só. Teve o também zagueiro Pico Lopes igualmente imenso, teve a entrada impecável do lateral João Paulo e teve, pra quem quisesse ver, o goleriaço Vozinha, de 40 anos, com pelo menos oito defesas impotantes, duas das quais milagrosas.

Do lado dos espanhói de se destacar a calma, quase indiferença, que mantiveram rigorosamente até o último apito do juiz, que talvez possa vir a ser útil em algum momento desse Mundial. Calma, aliás, que não se estendeu às arquibancadas que vaiaram fragorosamente o time a partir do segundo tempo, com trégua somente para a entrada do tal Yamal, a quem fui finalmente apresentado. E que também não jogou nada.

O orgulho e a entrega dos jogadores ilhéus  poder-se-ia dizer contrastantes com a frase do seu técnico, ao final da partida, quando perguntado sobre o que Cabo Verde deveria fazer dali para frente: “os caboverdeanos só tem que se divertir”. Mas para aquele que anda nas ruas, é mais que sabido que é na diversão que se protagonizam os momentos mais sérios da vida.

Fernando Szegeri


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Japão x Holanda

Ótimo espetáculo de futebol, com tudo o que a gente espera de um jogo de Copa do Mundo: dedicação, bom futebol de parte a parte, surpresas, quatro gols. Destaque para os alas Nakamura e Ito, do Japão, que desconcertaram a defesa laranja, mais preparada para um boletim meteorológico do que para uma inversão de jogada. O técnico holandês, com substituições e orientações questionáveis, mostrou que um time  que está bem, mas que recua demais, pode pagar um preço alto numa competição que se destaca pelo nivelamento.

Fernando Szegeri

Sinais

 Zagalo não tinha cara de míster. Vicente Feola nunca na vida ouviu a palavra míster. Felipão espirrou muito e teve crise de urticária quando leu no jornal a palavra míster. Parreira é engomadinho, mas não é mister. Aymoré Moreira não tinha nem o branco do olho de míster. Nem Telê Santana, que não ganhou, mas encantou, tinha cara de míster. Agora... Lazaroni tinha cara de mister. Tite (me perdoem, leitoras) tem cara de míster.

Mister estarmos atentos aos sinais.

Fernando Szegeri

Outros brasis

 

Talvez porque fosse Santo Antônio. Talvez porque eu estivesse no Brasil. Não no brazil de místeres oriundos de países em que o futebol acabou,  nem de confederações pilotadas por ministros juniores. No Brasil da nossa gente preta, índia, cabocla, cafuza, branca a se debruçar por andores e pendores. (Isso não é verso, mas rimou) O fato é que assisti o jogo com mais emoção do que seria capaz de inspirar o timinho que usa a camisa parecida com a outrora envergada pelo Escrete; com a emoção que vem do Brasil por onde ando há cindo décadas.  E por estar comovido – e feliz – nem liguei pro futebolzinho já esperado dos amarelos.

Talvez por assistir o jogo com olhos de menino, ainda deslumbrado por essa grande brincadeira chamada futebol; talvez pelo meu gosto por ele estar muito mais misturado aos cheiros das arquibancadas de cimento, dos banheiros urinados e dos lanches duvidosos, e muito menos ao das redações e estúdios por onde andaram os hoje ranzinzas de uma crônica esportiva moribunda. Mas o segundo fato é que eu gostei do jogo e me alegrei com o futebol marroquino, solto, instigante, apesar de não chegar efetivamente a brilhar, nem a deslumbrar. Foi uma pena terem murchado e recuado após o gol valoroso de Vinícius Júnior que, se não foi brilhante, como de hábito, foi digno.

Dignidade que, aliás, anda bem em falta na praça.

Fernando Szegeri

Endrick


Perguntei ao meu jovem amigo, Luis Cunha, físico, bebedor e são Paulino, se ele leu minha última crônica aqui no Dibrinho. Ele soltou: clubista, como eu esperava. Eu me diverti. É que já falei aqui do Gustavo Gomez e do Maurício, atletas do Palmeiras que estão na seleção paraguaia. Hoje eu vou falar de outro palmeirense. Uma cria da academia, o Endrick.

Carlo Ancelotti não colocar o Endrick pra jogar é uma das situações mais irritantes e os motivos para isso se transformaram em um dos mais bem guardados segredos de Fátima. Ainda neste contexto católico, só uma observação: A estreia da seleção brasileira na Copa foi uma visão do inferno. O Brasil parecia um jogo de casados x solteiros. Ou pior: Fez lembrar do 7 x 1. Parecia que cada ataque ia virar gol do Marrocos. Ainda bem que os africanos, apesar de bem-organizados, parecem ter alergia a gol. Ouvi um comentarista dizer isso e achei muito bom. 

Que Marrocos, que nada, disse o veterano Fábio Sormani. “O Marrocos da geração sofscore”. O que me fez lembrar de como o Nelson Rodrigo pegava no pé do jornalista Armando Nogueira que exaltava o time da Hungria dos anos 50: “A Hungria do Armando Nogueira”. Se o Marrocos fosse bom mesmo, o Brasil tinha perdido o jogo porque a seleção estava uma baba. 

Além de unidos na revolta e decepção, outro fato uniu os brasileiros naquela tarde de sábado: Endrick. Assisti ao jogo na Vilinha Sá Barbosa, acompanhada de uma turma bem diversa. Só que naquela hora ali no bar todo mundo era especialista. Claro! Tinha ali uns vinte técnicos palpitando e todo mundo queria que o Endrick entrasse em campo. O técnico italiano (maledito) desagradou ao Brasil inteiro. 

Endrick, negro retinto, de família pobre, tem apenas 19 anos e passou por muitos momentos de superação na vida e na carreira. Dizem por aí, e parece mesmo, que os técnicos não gostam dele. Pior para os técnicos. Além do povo, uma boa parte da mídia esportiva quer que o Endrick entre em campo, como titular ou como opção no segundo tempo. 

Eu acho o Endrick um craque e admiro essa obsessão que ele tem pelo jogo. Um instinto de fera que quando é chamado parece aqueles felinos do National Geographic se movimentando com força e deslumbre. É um artilheiro. Tem uma técnica e habilidade que estão ali vivas, queimando em brasa pra jogar na seleção. Tem fome de bola e alimenta aquela esperança brasileira que o jogo vai virar a nosso favor. Endrick traz alma pra essa seleção sem graça, aposentada e covarde.

Ancelotti, homem de pouca fé, não enterre nossa seleção, deixa o menino jogar.  


PS: foto do Endrick tirada pelo fotógrafo Lesly Marinho. Em 2022, o jogador tinha 15 anos, e o Brasil vendeu um torneio sub-17 na França. os locais ficaram encantados com Endrick. Detalhe: derrotamos a Argentina.


Railídia 


sábado, 13 de junho de 2026

Baile dos EUA em "Assunción"


“Foi num baile em Assunción

Capital do Paraguai

Onde eu vi as paraguaias

Sorridentes a bailar”


Pois é, minha gente. Literalmente a seleção do Paraguai levou um baile dos EUA: 4 x 1. Foi uma decepção. Apostei todas as minhas fichas na La Albirroja, como é conhecida a seleção paraguaia. Os motivos do meu otimismo são, nessa ordem: Tem três jogadores do Palmeiras entre os convocados, estrearia contra os EUA e é um time sul-americano que após 16 anos volta a disputar uma Copa do Mundo.

“Sem alma não se chupa nem um chicabon” dizia Nelson Rodrigues. Pô, meus greengos, hoje era o dia de baixar a moral de quem anda por aí bombardeando o mundo. Fazer um jogo duro dentro da casa deles. Dia de vingar os golpes militares no nosso continente. O fato é que eles é que nos surpreenderam e a nossa Pearl Habor futebolística foi uma vergonha.

Onde estava a alma do Paraguai no jogo desta sexta-feira, 12 de junho? 

Interessa a mim mais a alma que a técnica, que parece ter ficado em Assunção. O Paraguai fez um gol contra aos 7 minutos já muito pressionado pelos EUA e teve uma pane coletiva que durou praticamente os 90 minutos, à exceção do momento do gol. Aliás, gol palmeirense anotado pelo Maurício, jogador brasileiro naturalizado paraguaio.

O “dementador americano” (alô, Harry Potter) roubou toda a felicidade dos paraguaios. Eles se transformaram em 11 pernas de pau. Menos Gustavo Gomez, o capitão da La Albirroja. Ele é um poço de integridade e coragem. Hoje parece que só tinha ele em campo. O Paraguai jogou com menos 10. 

Pra piorar, comecei a assistir o jogo aos 2 minutos e de início, torci para os EUA que usavam uma camisa com as cores vermelha e branca, igual a principal do Paraguai. Só que as listas eram horizontais. Aí notei que o Paraguai estava de azul marinho. Fica a dica: Em camisa que está ganhando não se mexe. 

Que a seleção Paraguai levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. Teve seleção ai que perdeu primeiro jogo e acabou campeã. Futebol, eu te amo. Ainda bem que a Copa começou e melhor ainda que está longe de terminar. 


PS: Os versos acima são um trecho da música Galopeira na versão conhecida no Brasil. Originalmente, a música é de autoria do compositor paraguaio Mauricio Cardoso Ocampo. 


Railídia


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quiñones, o meu personagem da abertura da Copa

A quinta-feira de abertura da Copa foi espetacularmente um dia que começou complexo pra mim. Sabe quando você equilibra mil pratos, faz tudo e no fim vê que aquela listinha de tarefas virginiana não foi cumprida como deveria? Dá uma angústia. Daí o jeito foi afogar a ansiedade (a mágoa perdeu a vez) no futebol. 

“Esquece a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

E tudo fica lá fora

Inferno fica lá fora

As dores ficam lá fora”


Ah, aquele ambiente que potencializa mil vezes as ruazinhas em volta da Curuzu, no estádio do Paysandu em Belém, vendendo churrasquinho. As barracas em volta da Arena Barueri do Verdão, em São Paulo, com aquele leitão delicioso. Um zumzumzum de torre de Babel. Eu adoro o futebol, mesmo vendo pela tv.

E no clima do dia dos namorados, eu me apaixonei pela torcida mexicana no jogo de abertura da Copa nesta quinta (11). O Fê fez a resenha do jogo  México x África do Sul. Leiam, comentem, de preferência entrem no google com o e-mail de vocês senão aparece todo mundo anônimo. 

Sempre torci pelo México e desta vez também. Para quem vê futebol mundial dia e noite pode ter sido uma apresentação comum, mas teve um ponto que me trouxe uma felicidade que só o futebol traz: o encanto com a habilidade, a personalidade e a emoção de um atleta. Sabe aquela angústia que a rotina imprimiu em mim ontem? Foi pra casa do ...carvalho quando o Quiñones fez o primeiro gol. Porra, México!!!!

O escritor Nelson Rodrigues, meu ídolo, escreveu as mais sensacionais crônicas de futebol. Ele tinha uma coluna chamada Meu Personagem da Semana. Dá licença, meu mestre, de copiá-lo na cara dura. Quiñones é meu personagem da vez: Parecia que ele era o time inteiro e jogava em todas as posições. Defendeu, atacou, armou e fez gol. Nascido colombiano se naturalizou mexicano porque parece que a Colômbia esnobou seu talento. A copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela! 

Aos 29 anos, Quiñones joga na liga árabe. Um homem negro latino-americano cheio de ginga e personalidade. Jogador que faz a fria técnica ganhar vida. No primeiro gol dele eu levantei da cadeira e gritei: Porra!

Só que o meu grito foi um palavrão, como bem conhecemos no Brasil. Sabiam que no México a palavra Porra significa algo do tipo vamos torcer para o México? Não é palavrão. Portanto, Porra, México! Boa Sorte. E também a nós brasileiros que fomos muito felizes em 70 neste país.

PS: Os versos que escrevi no início desta crônica fazem parte da música Aqui é o pais do futebol (Milton Nascimento e Fernando Brant) gravado pelo grande Wilson Simonal , em 1970

PS2: Colocar o sinal Til no N do Quiñones exige uma reprogramação do cérebro.

Railídia


quinta-feira, 11 de junho de 2026

O pior

 Fazendo jus à sua lamentável carreira, a atuação de Wilton Pereira da Costa no confronto entre México e África do Sul é a pior da Copa até o fechamento desta edição.

                                                     Fernando Szegeri

México x África do Sul

Dentro das 4 linhas, do tanto que vi, algumas impressões e poucas conclusões. A mais evidente é que a África do Sul é um time bastante limitado, que com os dois desfalques advindos das expulsões se torna a primeira candidata séria a ficar pela primeira fase. Já o México mostrou organização, aplicação e velocidade, não chegando, no entanto, a empolgar no quesito criatividade e não conseguindo efetividade ofensiva capaz de dar à partida números mais condizentes com a sua superioridade.

A impressão maior fica por conta de uma certa mesmice que parece grassar atualmente no futebol. Todo mundo joga meio parecido, com maior ou menor competência; a sensação é que sempre está se vendo mais ou menos o mesmo campeonato. Tomara que os próximos 103 jogos venham me convencer do contrário.

Em tempo: aplausos efusivos para a torcida mexicana, que fez a festa à altura da grandeza desse povo esplendoroso. Ainda que bem mais embranquecida que as lembranças das ruas que por lá andei.

                                                    Fernando Szegeri 

O Dibrinho tá dominado: Olha, quem chega

Alguém perguntou um dia ao chegar nas rodas de samba da vida:

- que horas começa o samba?
Outro respondeu: Já começou!

Pra mim a Copa do Mundo começou em 1982, quando eu aos 10 anos me encantava pela seleção brasileira. Morava na Transamazônica, no bairro da Brasília, sem água encanada, muitas vezes sem luz, em uma casinha que vi por anos mamãe construir. O que sobrava na rua naquele tempo da Copa era esperança, farra, bandeirinhas penduradas e muitas camisas verde e amarelo.

Tô comovida como o quê porque amo futebol. Amo a Copa do Mundo e continuo amando a seleção canarinho. E minha felicidade não poderia ser maior porque agora sou colaboradora do Dibrinho, esse modesto pedaço de chão que vai ser um pouco a nossa mesa de bar, a “anticobertura jornalística”, nosso confessionário e a arquibancada de onde vamos mandar nossos palavrões mais afetivos.

Já chego contrariando o editor e criador do Dibrinho, meu mano Fernando Szegeri. Quero ver a caveira dos Hermanos argentinos. A dos franceses, então. Tomara que os Hermanos percam de 7 x 1 pra Argélia e os franceses tomem um sacode do Senegal. Sim, guardo rancor. 

E só mais um palpite: minha gente, chega desse negócio de mister pra o Ancelotti. Aliás, uma sugestão, professor, põe o Endrick.

Até!

Railídia 

2026

E não é que vai começar tudo outra vez???

Eu já estou com a cerveja gelada, a tabelinha e a caneta na mesinha da sala. Quem vem junto?

Hoje é a primeira partida de Copa do Mundo depois da maior que vi em toda a minha vida, a finalíssima de 2022 entre os hermanos capitaneados por Messi e os enfants de la Patrie, com Mbappé e companhia. Que não teve resenha no Dibrinho, por faltarem palavras e sobrarem lágrimas. (E pela torcida na redação estar ferozmente dividida, uns ouvindo Gardel e La Negra aos prantos, outros não vou nem comentar. Humpf!) 

Bora pra cima! Viva o futebol! Viva a festa! Que é a gente que faz, aconteça o que acontecer, tentem o que tentarem. Sem nós, eles não são nada!

Fernando Szegeri

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Inglaterra x França

 Melhor jogo da Copa, ao lado de Holanda x Argentina. Muita disputa, emoção, lances agudos e um bom futebol praticado por ambos os escretes. O ótimo Harry Kane contribuiu decisivamente para a eliminação ao desperdiçar a cobrança de um penal. Inglaterra cresceu ao longo da competição e conseguiu fazer frente ao superior time francês, perdendo no detalhe. 

Fernando Szegeri

Marrocos x Portugal

 A melhor surpresa da Copa eliminou a seleção que até aqui jogara o futebol mais consistente, conforme esta coluna vinha reiterando. Os bons meio-campistas portugueses não conseguiram se sobrepor ao jogo aplicado taticamente, rápido e jovial da execelente equipe marroquina. Cristiano Ronaldo começou no banco e entrou pouco inspirado; talvez o ambiente não estivesse dos melhores após os atritos com o treinador meu xará.  O resultado é uma seleção africana pela primeira vez entre os semifinalistas da Copa do Mundo, com todos os méritos. Os patrícios de Humphrey Bogart encantaram o mundo dentro e fora de campo com uma alegria julgada perdida no mundo do futebol transnacional. 

De toda sorte, acredito que essa geração portuguesa tenha tudo para levar os devotos de Dom Sebastião a voos interessantes nos próximos anos. 

Fernando Szegeri  

Brasil x Croácia

 


O Brasil não conseguiu repetir nem de longe a atuação contra a Coreia e foi melancolicamente eliminado da Copa do Mundo. Croácia não foi brihante, mas executou satisfatoriamente, sobretudo no primeiro tempo, o futebol modorrento e arrastado a que se propõe, sob a batuta desse belo jogador chamado Modric. O Brasil foi melhor em todo o segundo tempo, mas sem conseguir se desamarrar, mesmo com a atuação acima da média de Neymar. Na prorrogação, quando conseguiu a vantagem em jogada do mesmo Neymar, faltou experiência, faltou malícia, faltou organização, faltou conjunto e faltou, principalmente, liderança para conseguir segurar o resultado por mais 4 minutos apenas. O lamentável Tite entra para a história como o pior treinador do escrete de todos os tempos, empatado com o bizarro Lazaroni, mas com muito mais condições e oportunidades: planejou mal, testou mal, convocou mal, escalou mal, procedeu mal, treinou mal, não exerceu e não deu a exercer a liderança que os canarinhos há tanto tempo sentem falta.

Fernando Szegeri

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Argentina x Holanda

 O jogo entre Holanda e Argentina foi sem dúvidas o melhor da fase de mata mata e o mais emocionante. No primeiro tempo ainda a argentina abriu o placar com um passe fenomenal de Messi em uma jogadaça para gol de Molina. Nessa etapa vimos Holanda com muita posse de bola, mas a Argentina criando mais. E foi assim até os 28 do segundo tempo, quando em um penalti Messi ampliou para os argentinos. Quando tudo parecia resolvido, Weghorst diminuiu aos 38 do segundo tempo. E no ultimo minuto de jogo, em uma jogada ensaiada na falta, Weghorst fez mais um. Nos penaltis a Argentina ganhou, mas tambem com emoção.

Chico Szegeri

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Turma do funil

Portugal, Brasil e França são os escretes que até agora mais se destacaram, com os canarinhos ainda num degrau ligeiramente abaixo, por obra de evidentes limitações de inteligência coletiva, se me entendem, malgrado a inegável qualidade individual de seus jogadores. Os dois primeiros tem confrontos em tese menos complicados nas quartas, mas ainda que os azuis enfrentem um clássico de muita rivalidade contra a Inglaterra, a superioridade francesa é inquestionável. A não ser por obra das imponderáveis fatalidades do futebol, o trio tem tudo para chegar às semi. Argentina e Holanda disputam a quarta vaga, num confronto de retrospecto equilibrado, difícil de se prever. Vi menos os laranjas, mas o suficiente para perceber uma equipe aplicada, rápida e que cresceu durante a competição. Os hermanos não têm nadado de braçada até aqui, é fato, mas contam com o peso extraordinário de sua camisa e o fator Messi sempre a pairar no ar...

Fernando Szegeri


 

Portugal x Suíça

 

Os suíços, que já entraram menos cuidadosos do que contra o Brasil, tomaram um gol logo no início e tiveram que, finalmente, tentar jogar. Portugal, então, não tomou conhecimento do já combalido ferrolho e atropelou os embaixadores da paz, com ótimo jogo coletivo e atuações individuais inspiradas; destaque para Gonçalo Ramos na função a priori ingrata de substituir Cristiano Ronaldo, em rota de colisão com o treinador luso, que agora terá em mãos um maravilhoso problema para resolver.  Os meio-campistas Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix confirmaram as boas apresentações anteriores e ajudaram a sacramentar a melhor partida de uma equipe no Mundial até o momento. Se mantiverem o nível do futebol hoje apresentado, os surpreendentes e desgastados marroquinos não terão condição de opor resistência.

Fernando Szegeri

Marrocos x Espanha

A patuscada espanhola de jogar com os reservas diante da Coreia na primeira fase, para dizer só o inegável, se me entendem, rendeu o cruzamento com a melhor seleção africana da Copa e sem dúvida a mais agradável entre as poucas surpresas deste Mundial. Os marroquinos confirmaram as boas atuações anteriores, com um jogo muito disciplinado taticamente, força física e qualidades individuais, com destaque para o habilidoso Boufal. O jogo morno da Espanha se repetiu, com volume e posse de bola que não se traduziram em correspondentes chances efetivas, tendo os africanos chegado menos vezes, mas com mais perigo. Na decisão por penais, os Deuses do futebol – que se têm mostrado implacáveis - se encarregaram do resto… 

Fernando Szegeri

Brasil x Coreia

Coreia não conseguiu repetir as boas atuações da primeira fase e sucumbiu diante de uma seleção brasileira focada e inspirada. A superioridade canarinho no primeiro tempo foi suficiente para liquidar qualquer pretensão de reação dos vermelhos, com atuações bastante convincentes dos homens de meio e frente, destaque para Vinícius Júnior. Atrás ainda preocupa a saída de bola quando a marcação adversária avança, com Alison demonstrando pouca confiança ao jogar com os pés, afora os improvisos impostos pelas seguidas contusões. Com a atuação, o time de Tite entra finalmente para a seleta lista dos consistentes, ao lado de França e Portugal.

Fernando Szegeri


Polônia x França

 

Ontem o jogo entre Polônia e França foi até então o melhor das oitavas de final. O primeiro tempo foi bom e bem mais equilibrado, com a Polônia tendo chances até mais do que a França; mas no finalzinho do primeiro tempo, em um passe genial de Mbappé, Giroud abriu o placar. Depois, no segundo tempo, a Polônia deixou de atacar tanto quanto no primeiro e bem mais cansada. Mais para o final começou um show particular de Mbappé, que anotou dois golaços e garantiu a vitória da França. Essa para mim foi a melhor atuação individual de um jogador nessa copa com dois gols e um passa para gol. No fim, ainda, Lewandowski diminuiu para a Polônia de pênalti.


Chico Szegeri

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Mais do mesmo

 Fim da segunda rodada, o que parece mesmo é que o futebol ficou muuuuuito igual. Os times jogam todos com variações sobre o mesmo tema. Mesmo os talentos individuais, dos consagrados aos despontantes, mais que jogarem seu jogo, mais que darem o tom da disputa, parecem comprometidos com a tarefa de fazer funcionar um jeito de jogar que não é exatamente o seu. Se me entendem...  Vai longe o tempo em que havia as grandes escolas (sulamericana, européia, depois africana etc.) e que para justamente contrariar a peremptoriedade das escolas times surpreendentes surgiam, a nos ensinar que sempre há no futebol, como na vida, uma alternativa que ainda não foi tentada, uma via que não foi devidamente explorada. Eles estão aí, pela história, pouco importa se vencedores ou vencidos. Obviamente, trata-se a Copa atualmente de um embralhamento das cartas que são dadas ano após ano nos diversos campeonatos europeus. No tempo em que os bichos falavam, tudo era surpresa, tudo era revelação; sedução, em suma...

Fernando Szegeri

Uruguai x Portugal

 Jogaço-aço-aço. Portugal entra para a lista dos consistentes da Copa, longe do brilhantismo. Nesse jogo ficou por conta de seus meias, eficientíssimos. Lamentei a derrota da Celeste, porque efetivamente fizeram o que mais remotamente se pareceu com honrar uma tradição. Antes de levarem o segundo gol, puseram o time à frente, jogando bem menos na base do esquema-que-todo-mundo-faz igualzinho-por-medo-de-errar-demais-e-dá muita-preguiça e passaram a jogar na base do talento de seus jogadores. Por instantes, quaaaaase acreditei que o mundo não é como é… Mesmo sem arrancar suspiros, creio que os amantes do futebol precisem torcer pela classificação da nossa Província rebelde. O futuro agradecerá.

Fernando Szegeri



Alison c'est ma copine et moi...

 ... je ne le trouve pas fiable, tout comme mon Français. Repito, só vejo futebol brasileiro, um pouco de sulamericano e Copa do Mundo. Não é, evidentemente, a caveira de burro enterrada que tivemos de 2006 a 2014. Mas sinto que falta, e não é de agora. Duas saídas de bola comprometedoras hoje. Era a Suíça…

Fernando Szegeri

A (in)sustentável leveza

Vejam bem a situação: esta coluna foi apresentada à seleção canarinho há quatro dias somente. Até então, conhecíamos o time tanto quanto sabíamos de Marrocos, Coreia do Sul ou Polônia. Então, tudo é novidade, é apresentação; zero intimidade, muitos estranhamentos, lampejos de encanto. Se vai dar romance, é cedo pra dizer. Principalmente para vacinados…

Mesmo contra a paquidérmica Suíça, continuou-se a jogar leve, sem a mesma sorte do primeiro confronto. Verdadeiro Houdini, desamarrou-se como pode da sempre indecente retranca suíça, na base da insistência. Menos mal para os amarelos. Casemiro mostra que pode ser o líder que não se tem faz muito tempo. Bom para se deixar de exigir de Neymar, Tiago Silva et caterva o que definitvamente não se pode deles esperar. E que dêem o que podem. No mais, Vinícius Júnior interessante (ainda pode dar o que falar), Rodrygo promissor na função que o adrede machucado não poderá exercer por ora. E não muito mais. Nem pra gente parar de perguntar por que não foram testados Fulano, Beltrano e Cicrano. De modo que o não-técnico segue sem comentários. Que se virem os meninos como puderem para sustentarem sua leveza...

Fernando Szegeri

Brasil x Suíça

Brasil contra a Suíça foi um jogo que eu esperava muito, mas acabou sendo bem morno; e, para falar a verdade, até meio chato. As duas equipes não estavam bem e não tiveram grandes chances. No segundo tempo a partida deu uma melhorada, principalmente o Brasil, com a entrada de Rodrygo e de Bruno Guimarães, que foram muito bem. Depois de muito tentar, o Brasil achou o gol no finalzinho, em chute muito bonito de Casemiro. Belo gol e o jogo terminou assim mesmo: Brasil venceu, mas não convenceu.

Chico Szegeri



Camarões x Sérvia

Para mim, o melhor jogo da copa até agora. Camarões começou ganhando, mas nos acréscimos do primeiro tempo a Sérvia fez dois gols e virou o jogo, No segundo tempo a Sérvia ainda ampliou em uma bonita jogada, mas em uma pintura de cobertura Camarões diminuiu e três minutos depois empatou. Achei o jogo muito parelho, com as duas equipes atacando bastante e com um placar surpreendente, que foi o melhor da copa.

Chico Szegeri

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Coreia x Gana

 

Jogo bom de se assistir, com muita vontade de lado a lado, aplicação, lances dramáticos. No primeiro tempo, a impressão era: a cada 10 bolas alçadas na área pelos coreanos, 10 serão rebatidas pelos gigantes negros; a cada bola alçada na área pelos ganeses, um gol. E assim foi, virando 2 x 0 em desfavor dos vermelhinhos. Mas eis que o futebol, senhores… Segundo tempo, duas bolas levantadas na área pelos coreanos, 2 x 2! Gana reagiu na base da vontade e achou o terceiro gol. Mas pelo empenho, disposição e volume de jogo, o empate teria sido melhor reflexo da partida. E seguem ambas vivas no grupo, ainda que a tarefa coreana frente a Portugal na última rodada seja mais complicada.

Fernando Szegeri

Alemanha x Espanha

 

As duas campeãs fizeram um bom clássico, disputado, boa parte do jogo lá e cá. Espanha melhor no geral, mais talentosa, com mais repertório, mas, como direi?, um tanto displicente. Essa displicência custou justamente o empate, visto que sobrou disposição e determinação para os chucrutes. Situação germânica é mais complicada no grupo, mas com a inacreditável derrota do Japão para a atualmente fraquíssima Costa Rica, dependem basicamente de si próprios, dada a improbabilidade de um resultado positivo dos japoneses frente a Fúria. A não ser que os deuses do futebol ainda não considerem saldada a dívida alemã, devem ambos classificar. E darão trabalho daqui para frente.

Fernando Szegeri

sábado, 26 de novembro de 2022

Primeiro balanço

 Sem grandes suspiros, sem grandes convencimentos, o que ficou de melhor até agora foi a consistência francesa, reiterada diante da Dinamarca na segunda rodada, e uma certa leveza, por assim dizer, do jogo do time que usa a camisa amarela. Espanha e Inglaterra fizeram o que deles se esperava, mas precisam ser testados perante adversários de verdade. Segue o bonde da Copa.

Fernando Szegeri

Brasil x Sérvia

 

O Brasil dominou praticamente o jogo inteiro; no primeiro tempo com falta de objetividade, não conseguindo chegar ao gol, e com Neymar sendo caçado em campo. No segundo tempo as coisas melhoraram e o Brasil começou a atacar mais, conseguindo até uma bola na trave, até que em uma jogada de Neymar, Vini Júnior finalizou e no rebote gol de Richarlison. A partir daí foi um baile do Brasil, coroado com uma pintura no voleio de Richarlison, fazendo o gol mais bonito da Copa. Depois continuou só dando Brasil, com ainda mais uma na trave.

Chico Szegeri

Portugal x Gana

 

O que faltou de futebol, sobrou em drama. A seleção ganesa foi uma grande decepção, muito abaixo do que já vimos fazer. Portugal, como tem sido a tônica, jogando um joguinho burocrático, nem sombra dos bons times que vimos em 2010 e 2014, levando perigo sempre pelos pés de Cristiano Ronaldo, que mesmo longe do apogeu ainda é o que de melhor se tem entre os órfãos de Dom Sebastião. Foi ele que marcou o primeiro, num pênalti que não se pode entender como não foi revisto pelo famigerado VAR, a pior coisa que sucedeu ao esporte bretão em 150 anos. Fosse um africano derrubado pelo babaovado C7 nessas circuntâncias… Enfim. E no fim do jogo, quase o empate de Gana numa falha absolutamente bisonha do arqueiro luso, que teria feito para mim mais justiça ao que foi apresentado.

Fernando Szegeri

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Os Deuses do Futebol

É batata, algumas coisas não passam impunes pelas místicas entidades que regem o esporte bretão. Após o apocalíptico 7 x 1, os comedores de salsicha amargaram uma vexatória desclassificação na primeira fase na Copa de 2018. E, ao que parece, ainda têm um bom tanto de carma pra cumprir...

A situação germânica é terrível, sobretudo depois dos emblemáticos SETE que a Fúria meteu em cima da outrora tão interessante Costa Rica, hoje um arremedo do time que ganhou da Itália (uma seleção que havia antigamente nas copas) em 2014. Até o bom arqueiro Navas parece ter esquecido como se joga bola. Alemanha não pode sonhar em não ganhar da Espanha, terão que torcer contra o Japão e meter uma boa quantidade de bolas na rede costarricense.

Fernando Szegri

Alemanha x Japão

Depois de um primeiro tempo bem mediano, cheirava por todo o deserto que os alemães estavam a fim de dar aquela entregada no chucrute. Futebol pouquíssimo inspirado, pra dizer o menos. De ambos os lados, claro, mas os japas estavam com mais vontade de jogar que de protestar. Não deu outra, a displicência germânica acabou custando caro. Do lado nipônico, o sempre bom Ito e o insinuante Asano destacaram-se. Entre os teutões, Musiala é habilidoso e as jogadas passam quase todas pelo ariano Gündogan, que deveria pensar o jogo, mas mostrou pouca capacidade de quebrar a mesmice. Neur decepcionou e foi mal no gol da vitória japonesa. 

Fernando Szegeri


Ainda quanto ao nível

 “Fica tranquilo, que depois piora.”

José Szegeri, o Velho

Patrocínio: Rivotril

 O futebol apresentado até agora na Copa está maravilhoso. Para os insones. 

Fernando Szegeri

P.S. Isso definitivamente não é unanimidade na redação do Dibrinho.

México x Polônia

Assisti o primeiro tempo e os 15 minutos finais. México, em termos de criatividade, pareceu-me esforçado. Polônia joga fechadinha atrás (ops!), com os tradicionais 3 beques e uma linha de 4 à frente da zaga; na frente, chegou em lances esporádicos, quase sem perigo. Destaque, claro, para o legendário Ochoa, que “dibrou” o batedor do pênalti (que como o ministro homônimo, não disse a que veio) e o induziu a bater em sua esquerda, fazendo uma defesa maravilhosa. Talvez o melhor lance individual da Copa até o momento. Mexicanos pela luta, não pelo futebol, e polacos pela penalidade desperdiçada, deixaram escapar o boi que os hermanos ofereceram de bandeja pela manhã. Menos mal para os colegas de Lionel 7 e meio.

Fernando Szegeri


Virgindade

 

Eu que NUNCA vi na vida um jogo da liga champinhons, nem nenhum outro desses campeonatos de patrocinadores, xêiques e mafiosos – meu máximo em futebol europeu foi assistir Maradona e Careca no Nápolis, com comentários gastronômicos de Sílvio Lancelotti – continuo achando, pelo que vi em copas, Lionel Messi um jogador nota 7,5.

Fernando Szegeri

Argentina x Arábia Saudita

 Um dos melhores da copa até agora, o jogo começou com a Arábia tomando muita pressão da Argentina, um gol de pênalti e ainda três anulados por pouco no primeiro tempo. Arábia quase não viu a bola, mas no segundo tempo o jogo mudou completamente. Logo no início a Argentina tomou o gol de empate e depois o golaço que virou o jogo. A Argentina continuo pressionando o jogo inteiro, mas não conseguiram furar o ferrolho árabe.

Chico Szegeri

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Por falar nisso...

De destacar a valentia do apitador tupinniquim Raphael C(l)aus, que em voo doméstico já emociona nas manobras. 6 x 1 pra Inglaterra frente ao fortíssimo Irã, chamado pelo VAR pra conferir pênalti arqui-mequetrefe nos acréscimos em desfavor daqueles que pensam que os mares sejam seus, não vacilou: marca da cal! Encômios.

Maaaaas, a gente sempre fica pensando se estivesse zero a zero e o jogo, vai saber, fosse assim de oitavas-de-final...

VAR tomá...

 ... lições do que seja futebol, antes de colocar água no nosso chope. Mal começamos, a farra eletrônica operada sabe-se exatamente lá por quem, mas patrocinada por quem bem vemos vivendo de apostas, já vai mostrando a que veio. A tecnologia avança não proporcionalmente à clareza dos critérios, que seguem dançando ao sabor dos humores mais voláteis, pra dizer o menos. A regra do impedimento, que há alguns anos foi mudada para em tese favorecer a ofensividade, virou o próprio anticlímax do jogo (pior para os narigudos). Explosão do grito de gol preso na garganta?  Espera a checagem do VAR...

Fernando Szegeri

Senegal x Holanda

 

Desencumbi-me porcamente da tarefa dada pelo nosso diretor técnico Chico Szegeri e assisti a Senegal x Holanda bem assim por cima. O que vi da arquibancada foi uma sempre baba-ovada seleção holandesa com muita movimentação e sem um pingo de inspiração. Parecia que havia uns 15 laranjas em campo, sobretudo no primeiro tempo, mas que pouco sabiam o que fazer além de defender-se com competência. Do outro lado, os senegaleses são insinuantes e extremamente vigorosos fisicamente, mas foram pouco agudos na partida. Jogo que seria pra zero a zero, não fosse o destaque da partida (negativo), o goleiro senegalês - também baba-ovado pelos assistidores de champinhons lig-lig-lé - que atende por Mendy: uma saída bisonha como há muito não se via, 1x 0 pros laranjas. Uma espalmada pra frente, meio duvidosa, 2 x 0 pros súditos de Sua Majestade Gulihemre Alexandre Orange-Nassau. E foi só.

Fernando Szegeri

Inglaterra x Irã

 

Ontem o jogo entre Irã e Inglaterra foi exatamente o esperado, considerando os níveis das equipes muito diferentes. Não há muito o que falar, mas temos que dizer que o Irã é uma das seleções mais fracas da Copa e com tudo isso, mesmo assim, o craque Taremi conseguiu fazer 2 gols. Destaque para a nova geração inglesa que brilhou nesse jogo com gols de Saka(2), Bellingham e Rashford na vitória por 6x2, um passeio. O jogo inteiro foi dominado pela Inglaterra que no primeiro tempo já havia matado a partida. Maguire, muito contestado também, fez uma bela partida.

Chico Szegeri

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Qatar x Equador

 

Gostamos do Qatar com Q. Graças ao Alberto Mussa, talvez…

Diante do Equador, o time da casa fez o jogo de abertura da Copa do Mundo. Não era um jogo em que se esperava tento, até por que são duas das mais fracas seleções, e, como o esperado, o jogo não entregou nada. A seleção do Qatar foi dominada o jogo inteiro, quase não chegaram ao gol do Equador: está claro que é o time mais fraco da copa. Agora falando um pouco do jogo, foi um jogo com muitas faltas perigosas e cartões para as duas partes. Equador foi superior o jogo todo, com destaque a Enner Valencia que marcou os dois gols na vitória.

Talvez os irmãos sulamericanos tenham vacilado um pouco. Com um pouquinho a mais de capricho, o placar poderia ter-lhes sido mais favorável. Como o Qatar deve ser o saco de pancada no grupo, no tiro curto o saldo de gols pode fazer a diferença.


Chico Szegeri e Fernando Szegeri