Teve Davi & Golias, teve Sobrenatural de Almeida, teve
personagem da semana, teve atuação nota 10, teve de um tudo. Espanha e Cabo Verde
protagonizaram um daqueles momentos que fazem uma Copa do Mudo ser uma Copa do
Mundo: uma seleção estreante, de um pequeno país africano de pouco mais de meio
milhão de habitantes, parar o time de
centenas de milhões de euro, orçamento que só não é maior do que a própria empáfia
espanhola. O “OxO” possivelmente mais vitorioso da história das Copas foi
garantido por atuações magistrais dos defensores caboverdeanos, com destaque para
o zagueiro Diney Borges que incorporou Domingos da Guia (em homenagem à Railídia
e ao nosso guru comum, Nelson Rodrigues) e jogou uma das partidas mais perfeitas
que vi um zagueiro fazer nesses quarenta e nove anos de arquibancadas. Mas não
foi só. Teve o também zagueiro Pico Lopes igualmente imenso, teve a entrada
impecável do lateral João Paulo e teve, pra quem quisesse ver, o goleriaço
Vozinha, de 40 anos, com pelo menos oito defesas impotantes, duas das quais
milagrosas.
Do lado dos espanhói de se destacar a calma, quase indiferença,
que mantiveram rigorosamente até o último apito do juiz, que talvez possa vir a ser útil em algum momento desse Mundial. Calma, aliás, que não se
estendeu às arquibancadas que vaiaram fragorosamente o time a partir do segundo tempo,
com trégua somente para a entrada do tal Yamal, a quem fui finalmente
apresentado. E que também não jogou nada.
O orgulho e a entrega dos jogadores ilhéus poder-se-ia dizer contrastantes com a frase do
seu técnico, ao final da partida, quando perguntado sobre o que Cabo Verde
deveria fazer dali para frente: “os caboverdeanos só tem que se divertir”. Mas
para aquele que anda nas ruas, é mais que sabido que é na diversão que se
protagonizam os momentos mais sérios da vida.
Fernando Szegeri
Um comentário:
Fê, uma dó eu não ter assistido esse jogo. Esses horários da tarde arrebebtam com a gente. Ah, Cabo Verde, Terra Estimada! Viva Vozinha. Viva Cesária Évora!
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