sexta-feira, 3 de julho de 2026

A seleção Canarinho e o algo mais

A seleção brasileira que eu sonho ainda não entrou em campo nesta Copa do Mundo.

Não falo do estilo mortal da França e nem da objetividade da Argentina com Messi. Muito menos eu me refiro ao tal do tik taka da Espanha ou do pragmatismo da Inglaterra.

Falta sentimento a seleção brasileira. Sabe aquela garra (não Uruguaia ou Paraguaia) de quem está mesmo num campo de guerra e lutando até o apito final? Aquela frase do hino “um filho teu não foge à luta”. Aquela garra à brasileira, a ginga, o bailado, o samba. 

Essa geração demonstra uma falta de energia que beira o formalismo e a burocracia. A claque de cronistas que precisa levantar a plateia dos auditórios segue no seu papel superdimensionando as apresentações burocráticas da nossa canarinho. Eu mesmo, pra não fazer o papel da corneteira em tempo integral, embarco no espírito dos narradores ufanistas. 

Só que lá no fundo, ainda que a seleção faça algum progresso, a mudança que eu gostaria não é a dos números frios da vitória. Esse algo mais que escrevi no título eu vejo em Cabo Verde e vi no Paraguai. Escrevo essa crônica ainda no quente do final do jogo da seleção Caboverdiana com a Argentina. Onde a soberba dos atuais campeões do mundo quase custou a classificação, mas não foi apenas isso.

O protagonismo foi de Cabo Verde, assim como o protagonismo foi dos paraguaios contra a Alemanha. Acho que Cabo Verde e Paraguai são meio antíteses uma da outra e digo isso sem querer desmerecer ninguém. O Paraguai entrou para sobreviver contra a tetracampeã. Cabo Verde entrou para competir e vencer o jogo. A coragem para sobreviver e a coragem para vencer.

A cada jogo sonho com a seleção brasileira altiva e, como diria Nelson Rodrigues, com os “mantos de cetim azul, com barra de arminho”, pendendo dos ombros. 

Concluo que os nossos jogadores precisam primeiro é vencer a perda da identidade e voltar a ser brasileiros. 

Railídia


2 comentários:

Caio Silveira Ramos disse...

Railídia consegue com seu talento absurdo traduzir o que pensamos e principalmente o que sentimos. Ela é craque de verdade.

Railídia disse...

Caio Silveira, como é que se reage a um comentário desses snif snif