sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quiñones, o meu personagem da abertura da Copa

A quinta-feira de abertura da Copa foi espetacularmente um dia que começou complexo pra mim. Sabe quando você equilibra mil pratos, faz tudo e no fim vê que aquela listinha de tarefas virginiana não foi cumprida como deveria? Dá uma angústia. Daí o jeito foi afogar a ansiedade (a mágoa perdeu a vez) no futebol. 

“Esquece a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

E tudo fica lá fora

Inferno fica lá fora

As dores ficam lá fora”


Ah, aquele ambiente que potencializa mil vezes as ruazinhas em volta da Curuzu, no estádio do Paysandu em Belém, vendendo churrasquinho. As barracas em volta da Arena Barueri do Verdão, em São Paulo, com aquele leitão delicioso. Um zumzumzum de torre de Babel. Eu adoro o futebol, mesmo vendo pela tv.

E no clima do dia dos namorados, eu me apaixonei pela torcida mexicana no jogo de abertura da Copa nesta quinta (11). O Fê fez a resenha do jogo  México x África do Sul. Leiam, comentem, de preferência entrem no google com o e-mail de vocês senão aparece todo mundo anônimo. 

Sempre torci pelo México e desta vez também. Para quem vê futebol mundial dia e noite pode ter sido uma apresentação comum, mas teve um ponto que me trouxe uma felicidade que só o futebol traz: o encanto com a habilidade, a personalidade e a emoção de um atleta. Sabe aquela angústia que a rotina imprimiu em mim ontem? Foi pra casa do ...carvalho quando o Quiñones fez o primeiro gol. Porra, México!!!!

O escritor Nelson Rodrigues, meu ídolo, escreveu as mais sensacionais crônicas de futebol. Ele tinha uma coluna chamada Meu Personagem da Semana. Dá licença, meu mestre, de copiá-lo na cara dura. Quiñones é meu personagem da vez: Parecia que ele era o time inteiro e jogava em todas as posições. Defendeu, atacou, armou e fez gol. Nascido colombiano se naturalizou mexicano porque parece que a Colômbia esnobou seu talento. A copa é cheia de dramas e voltas por cima. Praticamente uma novela! 

Aos 29 anos, Quiñones joga na liga árabe. Um homem negro latino-americano cheio de ginga e personalidade. Jogador que faz a fria técnica ganhar vida. No primeiro gol dele eu levantei da cadeira e gritei: Porra!

Só que o meu grito foi um palavrão, como bem conhecemos no Brasil. Sabiam que no México a palavra Porra significa algo do tipo vamos torcer para o México? Não é palavrão. Portanto, Porra, México! Boa Sorte. E também a nós brasileiros que fomos muito felizes em 70 neste país.

PS: Os versos que escrevi no início desta crônica fazem parte da música Aqui é o pais do futebol (Milton Nascimento e Fernando Brant) gravado pelo grande Wilson Simonal , em 1970

PS2: Colocar o sinal Til no N do Quiñones exige uma reprogramação do cérebro.

Railídia