terça-feira, 16 de junho de 2026

Carlo Ancelotti é o meu personagem da semana

A Copa do Mundo de 2026 está no sexto dia e eu só consigo pensar no fiasco da seleção brasileira na estreia contra Marrocos. Esse é o motivo que me faz escolher Carlo Ancelotti como meu personagem da semana. Esse espaço também é uma homenagem ao escritor Nelson Rodrigues. Ele criou essa rubrica nos anos 50 e 60 e eternizou personagens fascinantes do futebol daquela época.

O italiano Carlo Ancelotti é um mistério para mim. Ele tem um tipo que nem consigo dizer , de maneira geral, se gosto ou desgosto. No momento, desgosto muito. Disseram que ele foi conservador no primeiro jogo da seleção. Eu acho que foi covarde. O mister me irrita mascando aquele chiclete daquele jeito meio blasé. Ué, mas ele não é italiano? Nunca o vi mexendo as mãos daquele jeito clichê que a gente vê nas novelas brasileiras. Acho que eu prefiro o tipo italiano abrasileirado da Mooca, Bixiga e Brás.

O fato é que muita gente achava que o Ancelotti iria trazer outros ares para a seleção, mas é tudo meio que mais do mesmo: a falta de transparência, as negociatas, a onipotência, a falta de peito pra treinar a seleção que tem um legado do futebol que os europeus tentam enterrar, inclusive ele. Falam por aí que Endrick não é escalado porque a intuição fala mais alto no jogador do que a obediência tática. 

Há um poema do escritor Oswald de Andrade que diz: “Quando o português chegou/Debaixo duma bruta chuva/Vestiu o índio/Que pena! Fosse uma manhã de sol/O índio tinha despido o português.” Nelson Rodrigues conta em uma de suas crônicas que quando os europeus chegaram no Chile, na Copa de 62, estavam convictos que sabiam todos os segredos do futebol brasileiro. Entraram pelo cano: Brasil Bicampeão do Mundo.

A figura do Ancelotti não me fascina nestes primeiros tempos de seleção brasileira. Eu não babo com a coleção de taças que ele empilha dos campeonatos de lá. A mim dá um tédio, um sono, faço picuinha mesmo, principalmente quando vejo aqueles seres da imprensa brasileira com aquela “baba bovina e elástica” pendendo do lábio.  Que nojo! São os vira-latas mais vivos que os vivos. 

Já que o Ancelotti quer vestir o Endrick eu faço campanha pelo Ancelotti nu. Vem, Ancelotti, conhecer a história impressa no corpo e alma dos nossos meninos e sua memória brasileira de dribles, habilidade e intuição de Pelés, Manés, Ronaldos e Neymar. Venha minimamente despido das suas convicções e desembarque novamente no Brasil (já que vai ser mesmo o técnico da próxima Copa). Só que desta vez como professor e não colonizador.


Railídia


3 comentários:

Fernando Szegeri disse...

Excelente! Bora lançar a réchitégui #ancelottipeladoja

Fernando Szegeri disse...

E.T.: mister de cu é rola.

Railídia disse...

kkkkkkk aeeeeee