Amigos, após um silêncio sepulcral estou de volta ao Dibrinho.
Quero confessar que os insistentes pedidos do nosso grande público (leia-se Celinha Aguiar) foi importante para dar esse novo fôlego. O motivo da pausa só será conhecido no dia em que soubermos o que aconteceu com o Ronaldo Fenômeno na Copa de 98.
Chega de fugir do tema e vamos ao meu personagem da semana: Gustavo Alfaro, o técnico do Paraguai. La Albirroja es mi amor. Confesso que, desta vez, torci mais por eles que pelo Brasil. Tava meio borocoxô, mas a garra guarani da seleção Paraguaia me fez recuperar o encanto, o prazer e a adrenalina. O espírito lutador dos paraguaios me fez lembrar muito da personalidade do goleiro Chilavert: marrento, consciente, arrogante. Prefiro um jogador assim a um banana.
Todos davam o Paraguai como derrotado diante da Alemanha tetracampeã. A sobrevivência do Paraguai foi naqueles dias após o jogo um alimento para a nossa utopia. Nós, brasileiros, que nem nos reconhecemos sul-americanos, estivemos unidos pela Canarinho e pelos Paraguaios. Parece até que foi uma vitória da gente. E foi: Da Pátria Grande que sonha com uma integração dos países da América Latina e do Caribe. Crença alimentada por tantos sonhadores, entre eles Simón Bolívar, Eduardo Galeano, Darcy Ribeiro, Fidel Castro, José Martí.
Gustavo Alfaro tem todo o meu respeito. Fazendo um retrospecto das eliminatórias para a Copa, conseguiu trazer um espírito aguerrido e resiliente para a seleção. Havia 16 anos que o Paraguai não disputava a Copa. O que seria um crime para uma geração que tem um jogador como Gustavo Gomes, capitão do Palmeiras e capitão da seleção que é conhecida como La Abirroja pelas cores branca e vermelha do uniforme.
Começou a Copa e o balde de água fria veio logo dos yankees imperialistas que golearam o Paraguai na estreia. Sobreviver era preciso e os paraguaios avançaram na raça, na estratégia de guerra, na personalidade e técnica dos líderes do time, entre eles o brasileiro Mauricio. Filho de pai paraguaio e mãe brasileira, Maurício foi o primeiro bater o pênalti. Depois o Gustavo Gomez. Meu Deus! Parecia o Palmeiras contra o goleiro Neuer.
Gustavo Alfaro me comoveu demais ao dar a seguinte declaração após a vitória nos penales contra a Alemanha:
"Se gradúan en academias de primer nivel en Europa. Nosotros venimos de la tierra colorada, jugando descalzos en esta tierra, con el sacrificio de los padres para llevar a los niños a entrenar."
Qualquer semelhança com os “ninos” brasileiros não é mera coincidência. A Pátria Grande está no campo de guerra da Copa do Mundo. Ver uma seleção como a do Paraguai bater um gigante histórico como a Alemanha é o puro suco da imprevisibilidade deste jogo que amamos tanto. É um tapa naqueles que querem formalizar o futebol tirando dele o drama, o revide, as estratégias de vestiário. Ainda bem que o futebol sobrevive com o espírito da terra colorada, da várzea brasileira, dos campos de refugiados da África.
Vamos, Paraguai! E que teu hino Guarani ecoe tão alto que possa fazer balançar a Marselhesa.
Railídia
7 comentários:
Viva Latino-América y el Caribe! Besos y apapachos, Lela
Ahhhh que lindo! E eu que, lendo em voz alta para André, começo a embargar a voz e encher o olho? Sobrevive o futebol aguerrido do Paraguai assim como sobrevivem as crônicas emocionadas do Dibrinho! Só acho que você pesa um pouco além da conta nessa coisa de meter o Palmeiras em tudo, Rai. De resto, viva! muitos vivas! ⚽️✨
América és nuestro amore! Viva La Revolucion!
Celinha, viva os anarquistas que criaram o Palmeiras! O grande líder do PCdoB era torcedor do Palmeiras. perguntavam o motivo e ele dizia: é o time dos trabalhadores. viva a história!
Lindo...
De chorar de tão lindo.
E discordo um tantinho da sempre sábia Célia: o peso do Palmeiras nos textos de Railídia é tal qual aquele poetado por João Cabral na homenagem ao Divino: "ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta, do homem dentro do pesadelo (...)Ritmo morno, de andar na areia, de água doente de alagados, entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário."
Celinha, tá ligada que o Caio Ramos é Palmeiras tb, né? Poeta e Palmeirense. Olha, se for juntar os músicos palmeirenses e sambistas então é uma humilhação com as demais agremiações.
Postar um comentário